Bate-estaca é pouco: estes são os barulhos mais altos já registrados pelo homem

Por Rafael Rodrigues da Silva | 07 de Fevereiro de 2020 às 14h15

Qualquer pessoa que já precisou passar ao lado de uma construção sabe que um dos barulhos mais insuportáveis do universo é o som do bate-estaca. Mas, ainda que ele seja irritante, está longe de ser um dos barulhos mais altos já medidos pelo homem (emite cerca de 100 dB para o operador). Trazemos aqui uma lista dos ruídos mais altos da face da Terra já registrados por cientistas — e que mostra que nada é mais ensurdecedor do que a Mãe Natureza.

Torcedores no estádio American Airlines Center

Nível de ruído: 115 dB

Durante o ano de 2011, antes dos playoffs da NBA, o dono do Dallas Mavericks, Mark Cuban, instalou um sistema de som de última geração no American Airlines Center, com microfones capazes de captar até mesmo o barulho do tênis dos jogadores conforme eles corriam e transmitir esse som através de 60 alto-falantes espalhados ao redor de toda a arena. Isso permitia que todas as pessoas presentes no estádio ouvissem até mesmo os menores ruídos da partida, e também ajudava a amplificar o som das arquibancadas, aumentando a pressão sobre o adversário sempre que a torcida começava a cantar e gritar em apoio ao time da casa.

E foi justamente nos playoffs deste ano que foi registrado o que talvez tenha sido o som mais alto de qualquer evento esportivo: no jogo 4 das finais da Conferência Oeste, os Mavs perdiam para o Oklahoma City Thunder por uma diferença de 15 pontos, faltando menos de cinco minutos para o fim do jogo — uma diferença que, historicamente, nunca havia sido revertida em uma final de conferência, ainda mais faltando tão pouco tempo. Mas, com a ajuda do barulho da torcida, o time de Dallas conseguiu empatar e, na prorrogação, terminou a partida vencendo por 112 a 105.

E a festa da torcida em êxtase foi tanta que, durante a comemoração da vitória, foi registrado dentro do estádio um ruído estrondoso no nível de 115 dB — exatamente no limite do que o ouvido humano consegue suportar. Isso quer dizer que, se o som da torcida em festa fosse amplificado em um único decibel, as pessoas poderiam ter, literalmente, danificado seus ouvidos de tanto comemorar. Semanas depois, o Mavs não só garantiu o seu lugar nas finais da NBA como também derrotou o Miami Heat de LeBron James para conseguir o seu primeiro (e, por enquanto, único) troféu de campeão da NBA.

O grito do morcego-buldogue

Nível de ruído: 137 dB

Uma espécie que pode ser encontrada em toda a América Latina (inclusive no Brasil), o morcego-buldogue poderia causar sérios danos ao ouvido humano com seu grito — claro, se fosse possível escutá-lo. Isso porque o grito emitido por ele é do tipo ultrassônico, ou seja, em uma frequência tão alta que não é captada pelos ouvidos humanos. Mas não é porque nós não conseguimos escutar que ele não emita um ruído extremamente alto, e esses animais de apenas 6 cm de comprimento conseguem fazer com que suas vozes atinjam um pico de 137 dB, garantindo que o grito que usam como sonar consiga não apenas mapear o ambiente ao redor deles, mas ter força suficiente para detectar até mesmo os minúsculos insetos dos quais ele se alimenta. Que potência, hein?

Macaco bugio

Nível de ruído: 140 dB

Este é outro animal que também é bem comum no Brasil. Qualquer pessoa que more em áreas próximas à Mata Atlântica provavelmente já acordou assustada quando, no meio da noite, escutou um rugido super forte e alto, como o de uma onça. Mas, na grande maioria das vezes, esses barulhos que saem da mata não são de onças ou de qualquer outro felino gigante, mas de um macaco que costuma medir entre 50 cm e 90 cm e pesar no máximo uns 10 kg. Por conta de possuírem uma “super” osso hióide (que fica na garganta), com um volume que chega a até 50 cm³ (muito maior do que o de outros macacos do mesmo tamanho), o grito do bugio pode ser ouvido claramente a 5 km de distância, o que faz dele o animal terrestre mais barulhento do mundo.

Tiro de uma arma de fogo

Nível de ruído: entre 140dB e 190 dB, dependendo do calibre da arma

Existe uma razão para usar equipamento de proteção individual sempre que você vai no estande de tiro: de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, qualquer barulho maior do que 120 dB pode danificar imediatamente os folículos capilares que existem na parte interna do ouvido, e que ajudam o órgão a traduzir as frequências captadas naquilo que o cérebro reconhecerá como som. Isso quer dizer que cada tiro que você dá sem um protetor auricular te torna imediatamente um pouco mais surdo.

Na média, a maioria das armas de fogo mais comuns (como revólveres e espingardas de caça) geram um som de 140 dB quando disparadas, mas algumas armas de combate mais pesadas usadas em ambientes de guerra — como, por exemplo, aquelas metralhadoras usadas pelo Rambo — podem chegar a um nível de ruído de 190 dB.

Foguete Saturno V

Nível de ruído: 204 dB

Desenvolvido pela NASA para o programa espacial Apollo, o Saturn V é o maior e mais poderoso foguete a conseguir decolar com sucesso, já tendo feito treze viagens e levando consigo 118 toneladas de carga a cada vez que foi enviado para o espaço. Claro, para fazer com que algo tão gigante e pesado seja enviado para fora de órbita é necessário um belo de um sistema de propulsão, e este sistema, por sua vez, vai gerar um ruído enorme quando acionado. Esse ruído é tão alto que a NASA é obrigada a encharcar toda a área de lançamento para que a água absorva uma parte da pressão causada pelas ondas sonoras geradas pelos motores do foguete.

Meteoro Chelyabinsk

Nível de ruído medido: 90 dB, a 700 km de distância do local de impacto

Nível de ruído calculado: 180 dB, a uma distância de 5 km do local de impacto

O meteoro Chelyabinsk, que caiu na Rússia em 2013, é um dos eventos de queda de um corpo direto do espaço mais bem documentados da história, e o YouTube possui milhares de vídeos que mostram não apenas o meteoro cortando os céus do país em sua trajetória de queda, mas também o efeito que ele teve ao atingir o solo, com um impacto equivalente a 500 kilotons de TNT. Ele, sozinho, quebrou vidros e paredes ao redor de toda a cidade e feriu mais de 1.000 pessoas.

Meteoro de Tunguska

Nível de ruído medido: não foi possível medir o ruído no momento do impacto, mas ele foi tão forte que a diferença de pressão gerada por ele pode ser medida em barômetros na Inglaterra

Nível de ruído calculado: 197 dB a uma distância de 5 km do local de impacto

Em 1908, o meteoro Tunguska não chegou a atingir o solo, explodindo na atmosfera em uma altura entre 5 e 10 km acima da superfície terrestre. Mas isso não quer dizer que ele não causou estragos: a explosão do meteoro teve a força equivalente à de 650 bombas usadas em Hiroshima, e testemunhas do evento relatam que parecia que um novo sol havia surgido no céu. Não houve a confirmação de nenhuma vítima do evento, mas o epicentro da explosão, que aconteceu sobre uma floresta, gerou uma onda de energia que derrubou todas as árvores em uma área circular de 1.554 km².

Erupção do vulcão Krakatoa

Nível de ruído medido: 172 dB a 160 quilômetros de distância do vulcão

Nível de ruído calculado: entre 189 dB e 202 dB a uma distância de 5 km do vulcão

Considerada a segunda maior erupção vulcânica da história, o Krakatoa — que até então era considerado extinto — explodiu com força suficiente para criar tsunamis de de 30 metros de altura e, literalmente, afundar a ilha que o abrigava, fazendo com que ela sumisse do mapa em 1893. Com uma força equivalente a de 13 mil bombas de Hiroshima, o vulcão matou mais de 36 mil pessoas, e aqueles que não morreram ficaram imediatamente surdas com o barulho causado por ele, que foi tão alto que pode ser ouvido da Austrália, que fica há 3.600 km do local da erupção. Isso seria mais ou menos o equivalente a você dar um grito em São Paulo e alguém na Colômbia te ouvir (guardadas as devidas proporções, claro).

Fonte: Popular Science

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