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O que dados de 20 anos podem nos ensinar sobre amizade entre gorilas da montanha

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Divulgação/Dian Fossey Gorilla Fund
Divulgação/Dian Fossey Gorilla Fund

Na natureza, não existe um único jeito “certo” de se relacionar. Assim como em humanos, formas diferentes de sociabilidade são naturais e podem ser vantajosas em diferentes situações. Essa é a conclusão de um estudo com gorilas da montanha, publicado na última segunda-feira (5) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. As informações têm base em mais de 20 anos de observações de 164 gorilas no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda.

Conduzido pelo Dian Fossey Gorilla Fund em parceria com as universidades de Exeter e Zurique, o estudo revela que a sociabilidade dos gorilas impacta diretamente sua saúde e reprodução, mas de maneiras inesperadas e, às vezes, até contraditórias. A depender do sexo do gorila, do tamanho do grupo e de outros fatores contextuais, o mesmo comportamento social pode ser vantajoso ou prejudicial.

Por exemplo: as fêmeas com fortes laços sociais em grupos pequenos tendem a adoecer menos, mas apresentam menos filhotes. Já em grupos grandes, essas mesmas fêmeas têm mais doenças, mas também maior sucesso reprodutivo. Entre os machos, laços fortes estão ligados a menos ferimentos em brigas, porém a maior incidência de doenças.

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De acordo com o pesquisador Robin Morrison, autor do estudo, "laços sociais fortes nem sempre são sinônimo de saúde melhor", especialmente quando se considera o contexto mais amplo do grupo.

Entre os casos observados, histórias como a de Gutangara, uma fêmea bem-sucedida com oito filhotes, e Titus, um macho dominante com estilo de liderança gentil, mostram que formas diferentes de se relacionar podem ser igualmente eficazes, cada uma à sua maneira.

A mensagem por trás do estudo é que não há um único jeito certo de se conectar com os outros. A sociabilidade é diversa, adaptativa e natural, tanto em humanos quanto em nossos parentes evolutivos mais próximos. No fim das contas, a natureza nos mostra que tudo bem ser diferente. A amizade, com todos os seus prós e contras, não tem uma fórmula única. O que importa é que, em qualquer grupo social há espaço para múltiplas formas de conexão. Vale lembrar, ainda, que amizades ruins fazem mal para a saúde.

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Fonte: Dian Fossey Gorilla Fund