O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (26/06/2018)

Por Patrícia Gnipper | 26 de Junho de 2018 às 14h21
Depositphotos

A ciência é fascinante. Seja quando refuta ideias antigas, ou quando possibilita novas descobertas, nossos conhecimentos quanto ao funcionamento de tudo o que nos cerca (bem como de nós mesmos) está constantemente em evolução.

E por isso que as terças são dias de ciência e astronomia aqui no Canaltech, com o resumo das principais notícias científicas que rolaram nos últimos sete dias. Vamos lá:

Novo tipo de buraco negro?

Temos conhecimento de buracos negros supermassivos no centro de galáxias (como o Sagittarius A, da Via Láctea), além de muitos outros pequeninos universo adentro. Agora, cientistas encontraram evidências de buracos negros intermediários, especialmente ao observar a explosão de um objeto cuja massa era de 10 vezes a do Sol, algo que aconteceu a 800 milhões de anos-luz.

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Buracos negros de tamanho intermediário são desconhecidos, por serem ainda mais difíceis de observar. Acredita-se que eles devam ser comuns em aglomerados estelares, longe do centro de suas galáxias, sendo que eles não têm muito gás e poeira a seu redor para que nós possamos, então, identificar esses sinais de sua existência. No caso do buraco negro mencionado acima, a equipe detectou um flash luminoso que deve ter sido proveniente de uma estrela sendo engolida pelo buraco negro.

Robôs da NASA na Lua

A gente já sabia que Donald Trump autorizou a NASA a retomar as missões lunares. Agora, a agência espacial começa a se preparar para enviar tripulantes robóticos ao nosso satélite natural, literalmente preparando o terreno para o retorno da humanidade à Lua em um futuro bastante próximo.

Exploração lunar da Apollo 17, a última missão tripulada que a NASA enviou à Lua (Foto: NASA)

Revendo a concepção do universo por causa de estrelas gigantes

Astrônomos usam as estrelas para entender os padrões que dão forma às galáxias e, ao estudá-las, conseguem analisar coisas como massa, idade e movimento para entender melhor nosso universo. Agora, cientistas do ESO descobriram que galáxias do universo primordial, bem como galáxias mais próximas, têm mais estrelas extremamente massivas do que se sabia.

Um dos pesquisadores disse ter encontrado 30% mais estrelas gigantes (maiores do que 30 vezes o Sol), e 70% mais estrelas com massa de mais de 60 Sóis, contrariando a ideia anterior de que havia um limite de 150 massas solares para as maiores estrelas do universo. Ele também sugere que estrelas podem, sim, ter massas iniciais de 300 vezes o Sol — e isso pode mudar nosso entendimento do universo.

NASA contra asteroides

Não, nenhum asteroide deverá representar ameaça ao nosso planeta no próximo século, mas mesmo assim a agência espacial dos EUA preparou um plano detalhado para nos proteger contra potenciais impactos. A NASA delineou cinco metas, incluindo detecção aprimorada e modelagem computacional, para garantir que a humanidade não tenha o mesmo destino dos dinossauros.

Possivelmente, seria o nosso fim

Teoria de Einstein comprovada em outra galáxia

Um estudo norte-americano conseguiu comprovar que a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, também é válida em outras galáxias. Até então, a teoria só tinha sido testada e validada na Via Láctea mesmo, e tal estudo é o teste extrassolar mais preciso já feito até hoje sobre a relatividade geral, comprovando que a teoria do gênio segue válida em escalas galácticas.

Turismo espacial está chegando

No que depender de Jeff Bezos, o turismo espacial está próximo de se tornar uma realidade. A Blue Origin está avançando no desenvolvimento da nave New Shepard, que levará seis turistas por vez para um voo orbital ao redor da Terra, experimentando a ausência de gravidade. E a empresa já quer começar a vender os ingressos para tal viagem fantástica no ano que vem — apesar de ainda não ter divulgado o preço de cada passagem.

Já pensou que sensacional experimentar a ausência de gravidade no interior dessa nave? (Foto: Blue Origin)

Novos genes associados à inteligência

A ciência identificou mais de mil genes especificamente associados à inteligência humana, sendo que a maioria deles era desconhecida. A descoberta expande nosso entendimento das bases genéticas de funções cognitivas, e há a sugestão de que pessoas com bases genéticas de alta inteligência têm maior probabilidade de viver por mais tempo.

Telescópio James Webb e A Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Enquanto a sonda Juno ainda está orbitando Júpiter e fazendo descobertas sem precedentes por ali, o telescópio espacial James Webb (sucessor do Kepler) usará suas câmeras de infravermelho para estudar com ainda mais afinco a tempestade centenária joviana conhecida como A Grande Mancha Vermelha. A intenção da NASA é prover um novo olhar à região do gigante gasoso que ainda intriga a todos nós.

A mancha é a maior tempestade do Sistema Solar, sendo que seu tamanho já foi grande o suficiente para acomodar algumas vezes o diâmetro da Terra. Contudo, o telescópio espacial Hubble descobriu, nos últimos anos, que a tempestade está diminuindo: hoje, ela acomodaria apenas uma Terra. Então, a hora de estudá-la a fim de desvendar sua origem, composição e propósito é agora!

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter (Foto: NASA)

Teste para explicar a existência da matéria escura

Pesquisadores dos Estados Unidos acreditam que encontraram um jeito de determinar se a misteriosa matéria escura realmente existe. Eles querem usar simulações computacionais sofisticadas para conduzir um experimento que pode, enfim, fornecer as respostas que tanto aguardamos. A equipe crê que tal resposta possa estar escondida no movimento de estrelas que fazem parte de pequenas galáxias vizinhas à Via Láctea.

Eles estão se concentrando na relação de aceleração radial (RAR). Em galáxias com formato de disco, as estrelas se movem em órbitas circulares ao redor do centro galáctico, e a aceleração desse movimento é causada pela atração da matéria na galáxia. Então, a equipe simulou, pela primeira vez, o RAR de galáxias-anãs supondo que ali existe matéria escura. Os resultados, contudo, podem levar alguns anos para serem conclusivos.

Rússia aposentará foguetes Proton

A família de foguetes russos Proton, cujo primeiro "filho" foi criado antes mesmo das missões Apollo (da NASA), enfim não voará mais. O primeiro Proton foi lançado pela primeira vez em 1965, em plena Corrida Espacial, quando a então União Soviética rivalizava com os Estados Unidos para ver quem conquistaria o espaço antes de todo mundo.

O chefe da Roscosmos (a agência espacial russa) disse que o foguete Angara, que fez apenas dois voos de teste em 2014, será impulsionado, para que os Proton sejam enfim aposentados. Além disso, o sucesso dos foguetes reutilizáveis da SpaceX (como o Falcon 9) é outro motivo para o fim do Proton, uma vez que lançamentos com o foguete de Elon Musk são mais econômicos.

Proton M, um dos membros mais novos da antiga família de foguetes russos (Foto: Roscosmos)
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