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Nova teoria pode explicar por que os tiranossauros tinham bracinhos tão curtos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 05 de Abril de 2022 às 20h20

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Jesper Aggergaard/Unsplash
Jesper Aggergaard/Unsplash

Todos que já assistiram a algum dos filmes da série Jurassic Park ou estudaram o suficiente sobre dinossauros devem ter se perguntado: como um dos maiores predadores que já pisaram no planeta Terra — o Tyrannosaurus rex — pode ter braços tão curtos? Bem, os cientistas também se perguntam isso, especialmente porque muitos dos parentes dele, os grandes terópodes, também apresentam membros posteriores diminutos.

Kevin Padian, paleontólogo e professor de Biologia Integrativa da University of California, Berkeley, decidiu não ficar na curiosidade e desenvolveu uma hipótese para a condição anatômica dos tiranossauros. Publicada na revista científica Acta Palaeontologia Polonica, a teoria considera aspectos ambientais e comportamentos alimentares dos saurópodes em questão.

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Para que serviam os braços curtos do T-Rex?

Padian resolveu trazer a reviravolta na trama do grande dinossauro ao reverter a pergunta clássica sobre seus braços. Ao invés de se questionar para que eles serviam, ele pensou, para que não serviam — ou melhor, como braços compridos poderiam atrapalhar a vida do T-Rex. O paleontólogo partiu de evidências de que a espécie caçava em bandos, como lobos, e provavelmente se amontoava em carcaças de outros animais abatidos para se alimentar. É nessas condições que braços curtos se tornam uma vantagem.

Em uma alimentação em grupo, onde há uma série de grandes crânios amontoados, é fácil de imaginar confusões acontecendo, já que todos os dinos estão despedaçando e mastigando carne um ao lado do outro. É altamente provável que desentendimentos ocorriam, e, para retaliar comportamentos indesejados por parte de outro tiranossauro, um deles atacasse o colega, o ferindo ou até mesmo mutilando. Répteis como crocodilos, jacarés e dragões de Komodo já foram vistos mutilando membros de outros espécimes no frenesi da alimentação.

Até agora, não havia teoria alguma sobre o motivo dos braços dos terópodes terem ficado menores, aponta Padian. O melhor que tínhamos eram algumas hipóteses do porquê o tamanho menor poderia ter sido mantido, como um menor consumo energético do corpo e a simples rudimentarização do membro pela falta de uso — o crânio avantajado e a mandíbula poderosa já eram ferramentas de caça boas o suficiente para o T-Rex.

Descartar um membro longo demais que ainda pudesse se ferir, contrair infecções e até mesmo causar a morte não é um salto tão grande para a seleção natural, e seria até mesmo esperado. A evolução vai de encontro a adaptações que fazem os animais serem mais integrados ao seu ambiente, e braços menores fazem sentido no contexto dos tiranossauros. Além do mais, Padian nota que as funções dos braços apontadas pelas teorias da manutenção do tamanho seriam, na verdade, executadas melhor caso a redução não houvesse ocorrido. Ponto para os bracinhos.

Como comprovar a teoria?

Bem, como o próprio Padian lembra, não há como comprovar a hipótese com absoluta certeza, já que estamos falando de criaturas que entraram em extinção há cerca de 66 milhões de anos. Mas há maneiras de avaliar se essa correlação entre braços menores e uma maior taxa de sobrevivência faz algum sentido, sim!

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O paleontólogo diz que o passo, agora, é verificar marcas de mordidas em fósseis de espécimes em museus: elas são marcas registradas em crânios de carnívoros como o T-Rex, mas, se pudermos encontrar menos delas nos membros reduzidos de alguns terópodes, isso pode ser um sinal de que a redução dos braços funcionou.

A abordagem integrativa que Padian propõe vai além da questão dos bracinhos dos saurópodes. Ele urge que os cientistas busquem mais explicações como essa, pautadas em organização social, comportamento alimentício e fatores ambientais na hora de teorizar sobre espécies extintas ao invés de se apegar apenas em questões mecânicas funcionais. A explicação, aliás, é provavelmente diferente em outros terópodes, assim como emus, avestruzes e casuares têm motivos diferentes para diminuir o tamanho das asas.

Qual era o tamanho do braço, afinal?

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Já que estamos falando sobre uma curiosidade muito debatida sobre os grandes predadores, não poderia faltar uma consideração sobre o tamanho dos braços em si, não é? Bem, em um tiranossauro de 14 metros de comprimento com um crânio de 1,5 metros, os braços teriam de cerca de 1 metro de comprimento. Em perspectiva, isso é o equivalente a um braço de 13 cm em um ser humano de 1,80 m de altura. Para nós, a desvantagem de um braço curto desses seria muito maior do que para um dino, no entanto — mesmo levando em conta brigas por comida.

Fonte: Acta Palaeontologica Polonica