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Fósseis de floresta de 290 milhões de anos são descobertos no Paraná

Por| Editado por Luciana Zaramela | 16 de Junho de 2022 às 12h27

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twenty20photos/Envato
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Fósseis de uma floresta de 290 milhões de anos foram encontrados dentro de rochas na cidade de Ortigueira, no Paraná, por cientistas brasileiros. Raro, o acontecimento só havia sido registrado no Rio Grande do Sul e na Patagônia: diferente destes locais, no entanto, as árvores paranaenses estavam com sua posição vertical original preservada.

A floresta de licófitas existiu na época em que o hemisfério sul estava unido em um continente único, chamado Gondwana, que juntava Austrália, África, Antártica, América do Sul e Índia. Para o estudo, houve a colaboração entre Thammy Ellin Mottin, doutoranda em geologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisadores da Universidade da Califórnia.

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A descoberta e sua importância

A cientista brasileira comenta que o achado das árvores é o mais importante em termos de qualidade e número de árvores preservadas: nos outros locais com fósseis desse tipo, eles estão deformados e em menor número. Foram 165 árvores descobertas no total, 115 expostas e mais 50 detectadas na subsuperfície — e os pesquisadores teorizam haver ainda mais delas.

Foi em um trabalho de campo, em 2018, que a descoberta foi feita, durante retirada de amostras para análise de rochas locais. Uma estrada e um trilho de trem novos estavam sendo abertos na região, o que levou os geólogos a serem os primeiros a estudar o local. Mottin diz que a obra deveria ter tido uma análise geológica melhor antes de seu início, já que pode ter descartado material importante sem querer, mas ressalta que o achado poderia não ter acontecido sem isso.

As amostras fossilizadas vêm sendo estudadas há um ano, cuja principal função é revelar registros de eventos climáticos do passado. O planeta está, atualmente, em uma fase glacial, e deve ir para uma fase pós-glacial ou efeito estufa em seguida, daqui a milhões de anos. Como não sabemos prever isso, olhar registros antigos, como os das árvores, pode ajudar a entender essas passagens geológicas.

As árvores são mais raras ainda por terem sido preservadas em pé — o que ocorreu por serem soterradas por sedimentos antes de cair, quando estavam vivas. O processo deve ter sido rápido e catastrófico, segundo os cientistas, progressivamente cobrindo as plantas com sedimentos de uma inundação fluvial enorme. Para imaginar, é como se areia tivesse sido jogada no ambiente, mantendo a posição das árvores, mas as sufocando.

As cerca de 50 árvores mapeadas na subsuperfície foram detectadas por meio de um radar de penetração no solo (GPR, na sigla em inglês). O próximo passo, de acordo com os cientistas, é criar um projeto de conservação, feito com órgãos competentes, como o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que trabalha na conservação do patrimônio geológico, criando sítios geológicos e paleontológicos, por exemplo.

O artigo tratando do achado e sua análise foi publicado no periódico científico Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology em fevereiro deste ano.

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Fonte: Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology