É possível viajar no tempo voando mais rápido que a velocidade da luz?

É possível viajar no tempo voando mais rápido que a velocidade da luz?

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Agosto de 2021 às 13h10
Genty/Pixabay

A Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein nos mostra que o espaço e o tempo são indissociáveis, ou seja, não podem ser separados. Isso significa que tudo o que afeta o espaço — como distorções causadas pela gravidade de um objeto massivo — também afetará o tempo. Se é assim, será que podemos viajar no tempo se "voarmos" muito rápido?

Muitos cientistas já tentaram mostrar que a viagem no tempo é possível, mas é difícil demonstrar isso na matemática sem que outra lei da física apareça para estragar a festa. Teoricamente, sempre que viajamos no espaço, também estamos viajando no tempo, mas não conseguimos obter a velocidade necessária para essa viagem seja muito significativa.

Para exemplificar, consideremos que dois astronautas atravessam o espaço em um foguete que viaja perto da velocidade da luz. O tempo passaria de maneira diferente na Terra do que para as pessoas no foguete. Enquanto eles ficam alguns anos mais velhos, décadas se passaram aqui na Terra — o que poderíamos chamar de um pequeno "salto” à frente no tempo. Mas parece que os efeitos curiosos param por aqui. Para viajar ainda mais longe no futuro, nosso foguete teria que superar a velocidade da luz.

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Se quisermos voltar no tempo, seria ainda mais complicado. No filme do Superman de 1978, o herói volta no tempo voando ao redor do globo mais rápido do que a velocidade da luz em sentido contrário à rotação da Terra. Será que isso funcionaria no universo real? Bem, talvez você já saiba, mas é sempre bom reforçar: nada no universo pode viajar mais rápido que a velocidade da luz no vácuo. O problema é que, ainda segundo Einstein, a essa velocidade os objetos ficam mais pesados.

Ilustração da distorção do espaço-tempo pela gravidade da Terra (Imagem: Reprodução/NASA)

Apenas os fótons — que também são ondas de luz — podem viajar na velocidade estupenda de 300.000 km/s, porque eles não possuem massa e, portanto, não ficam pesados. O astrofísico Eric Tittley lembra que a luz é mais lenta quando se move em outros meios que não o vácuo, como a água ou o ar. “As partículas que viajam perto da velocidade da luz, quando encontram esses meios, movem-se através deles mais rápido do que a velocidade da luz local e não encontram nenhum efeito estranho além de emitir uma luz especial chamada radiação Cerenkov”.

Em outras palavras, não há indício algum de que poderíamos viajar no tempo se superássemos a velocidade da luz no ar, por exemplo. Além disso, mesmo que pudéssemos viajar na velocidade da luz no vácuo, seria impossível retroceder no tempo, pois “a seta do tempo no nível macroscópico é considerada assimétrica, ou seja, ela só vai em uma direção, do passado para o futuro e não pode ser revertida”, de acordo com o astrofísico Sean Matt.

O melhor que podemos dizer sobre o assunto é que viajar em alta velocidade nos faria ter uma percepção diferente do tempo. Com nossa tecnologia atual, o máximo de velocidade nos permitira ter os relógios ligeiramente diferentes dos demais dispositivos na Terra, por exemplo. Isso pode ser decepcionante, mas ainda é um efeito incrível que sempre nos fascina e mostra como a Teoria da Relatividade Geral está correta.

Fonte: ScienceAlert

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