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Descoberto fóssil do predador mais antigo do reino animal

Por| Editado por Luciana Zaramela | 26 de Julho de 2022 às 19h30

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Dunn et al./Nature Ecology & Evolution
Dunn et al./Nature Ecology & Evolution

Cientistas identificaram o fóssil de uma criatura de 560 milhões de anos que pode ser o primeiro predador conhecido do reino animal, sendo ele o ancestral das águas-vivas modernas. Os restos já haviam sido encontrados há mais de uma década em um afloramento vulcânico cheio de rochas sedimentares, na Formação Bradgate, na Inglaterra.

A Formação em questão fica na Floresta de Charnwood, em Leicestershire, onde uma pletora de fósseis do período Ediacarano (635 milhões a 541 milhões de anos atrás). Isso quer dizer que o fóssil é anterior à Explosão Cambriana, um episódio de 55 milhões de anos na evolução terrena quando a vida no planeta se diversificou de forma incrivelmente rápida.

Na época, ancestrais dos insetos, aracnídeos e crustáceos surgiram, bem como braquiópodes com conchas e cordados, ou seja, animais com medulas espinhais. Até agora, era inédito ver fósseis pré-cambrianos se assemelharem a animais atualmente vivos — uma criatura ediacarana que se parece com uma água-viva é muito mais impressionante do que parece. Acredita-se que todos os animais do período pertençam a grupos já extintos.

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Como era o primeiro predador do mundo

O nome dado ao curioso animal, descrito em um novo estudo publicado na última segunda-feira (25) na revista científica Nature Ecology & Evolution, foi Auroralumina attenboroughii. O gênero — auroralumina — significa "lanterna da alvorada", em latim, fazendo referência à idade e formato de tocha da criatura. Já a espécie homenageia inconfundivelmente o biólogo e apresentador científico David Attenborough, que ajudou a divulgar os fósseis ediacaranos da Floresta Charnwood.

Os fósseis encontrados no local na década de 1950 representam de 20 a 30 espécies diferentes, todas parecendo com criaturas anteriormente encontradas em rochas pré-cambrianas (menos o A. attenboroughii). Estudá-los era difícil, já que estavam todos achatados. Saber como era seu interior era quase impossível, algo que mudou com a criação de modelos 3D baseados em fotografias de vários ângulso e diversas iluminações diferentes.

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Ao compilar os modelos digitais de amostras coletadas em 2007, um dos fósseis apresentou um formato curioso, como o de um candelabro com dois cálices saindo do mesmo ponto. De cada cálice, saíam vários tentáculos das bordas, como pequenos dedos. Aparentemente, as estruturas tinham o suporte de um esqueleto rígido — e parece ser o primeiro animal conhecido a fazê-lo.

A estrutura tentacular sugere que a criatura se alimentava de plâncton e protistas, o que faria dela o primeiro predador do reino animal de que a ciência tem conhecimento. O A. attenboroughii ainda têm características semelhantes aos dos fósseis cambrianos de Medusozoa, um grupo que inclui as águas-vivas modernas e outros animais que se transformam em criaturas campaneiformes (em forma de sino) de nado livre durante parte de sua vida.

Apesar de não parecer muito com uma água-viva, as medusas também não parecem por boa parte do seu ciclo vital, quando se ancoram ao fundo do mar para a reprodução assexuada, parecendo anêmonas marinhas — assim como o A. attenboroughiii. Se essa criatura pré-cambriana for realmente uma medusa, então fará parte dos cnidários, grupo que inclui os corais, plumas-do-mar e anêmonas marinhas.

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O que isso muda na ciência?

Anteriormente, os fósseis mostravam que a "planta baixa" dos cnidários não havia surgido até o período Cambriano, mas agora parece que ela estava por aí pelo menos 20 milhões de anos antes. Além da evolução do grupo ter sido jogada para trás pela descoberta, agora podemos ter uma noção de que tipos de animais vieram antes dela.

Pesquisas sugerem que os cnidários e os bilateria (grupo de animais ao qual nós, humanos, pertencemos) vieram de um ancestral comum, tomando caminhos evolutivos diferentes. Se o A. attenboroughi existiu há 560 milhões de anos, essa separação pode ter ocorrido antes do que pensávamos, e os primeiros bilatérios já andassem pelo planeta há bem mais tempo.

Fonte: Nature Ecology & Evolution