Cobras podem se reconhecer através de sentidos químicos, segundo estudo

Cobras podem se reconhecer através de sentidos químicos, segundo estudo

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 01 de Abril de 2022 às 21h35
ivankmit/envato

Reconhecer o próprio reflexo é uma capacidade muito complexa no reino animal, e contempla poucas espécies. No entanto, um estudo publicado na revista científica Behavior apontou que as cobras podem fazer isso graças a seus sentidos químicos.

As cobras utilizam sinais químicos para reconhecer presas, escapar de predadores e até encontrar parceiros. Aquele famoso comportamento de agitar a língua, por exemplo, é uma forma de transportar os sinais químicos para perceber algo.

Para o estudo, a equipe alojou 24 cobras da mesma ninhada individualmente em laboratório, desde o nascimento. Dentre elas, 12 foram alimentadas só com peixes, enquanto as outras 12 uma dieta baseada apenas em vermes.

Aos quatro meses de idade, cada cobra foi exposta a quatro estímulos diferentes:

  • O forro da própria gaiola
  • O forro da gaiola de outra cobra alimentada com a mesma dieta
  • O forro da gaiola de outra cobra, alimentada com uma dieta diferente
  • Um forro de gaiola completamente limpo

Durante cada experimento, os cientistas mediram a taxa de movimento da língua de cada cobra.

Cobras podem reconhecer o próprio reflexo, segundo estudo (Imagem: duallogic/envato)

Segundo o artigo, a análise permitiu compreender que as cobras podem reconhecer seus próprios sinais químicos e distinguir esses sinais dos de outras cobras, ainda que sejam da mesma ninhada e compartilhem da mesma dieta.

Os pesquisadores são cuidadosos em afirmar que o estudo não sugere que essas cobras sejam autoconscientes, mas sim que elas parecem conseguir identificar a si mesmas como um ser diferente de outro organismo. Esse tipo de teoria acaba dividindo os cientistas, porque não é baseada em aspectos visuais, mas sim recursos como odores e análises químicas — logo, segundo eles, não deveria ser comparada com um animal se olhando no espelho, por exemplo.

Fonte: Behavior, National Geographic

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