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Cientistas querem impedir extinção de espécie de dragão na Austrália

Por| Editado por Luciana Zaramela | 31 de Outubro de 2023 às 11h26

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Mstandret/Envato Elements
Mstandret/Envato Elements

Os cientistas da Colossal Biosciences, uma empresa norte-americana de biotecnologia, são ambiciosos. Já anunciaram que vão trazer de volta à vida animais extintos há muitos anos, como o mamute-lanoso, tigre-da-tasmânia e o dodô, mas, até hoje, pouco se avançou na recriação das espécies em laboratório. Em nova meta mais palpável, a biotech quer impedir uma espécie australiana da extinção, o dragão-sem-orelha-vitoriano (Tympanocryptis pinguicolla).

Sem cuspir fogo ou voar, esta espécie de dragão é bem mais inofensiva do que os seus “primos” dos contos de fadas. Na verdade, o dragão-sem-orelha-vitoriano mede apenas 15 centímetros, não tem o ouvido externo funcional e quase poderia ser confundido com uma lagartixa mais desenvolvida.

Falando sério, a espécie de lagarto já quase chegou a ser considerada extinta, segundo estudo publicado na revista Royal Society Open Science, em 2019. Isso porque, desde 1969, ninguém mais tinha avistado o dragão-sem-orelha-vitoriano.

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Eis que, neste ano, novos espécimes foram encontrados. Apesar da descoberta, eles seguem em sério risco de extinção, o que permitiu a criação de uma força tarefa com diferentes players para protegê-los.

O quase extinto dragão-sem-orelha-vitoriano

Com a redescoberta do dragão-sem-orelha-vitoriano após 50 anos do último avistamento, os biólogos optaram por recolher os espécimes e levá-los para cativeiros, onde poderiam se reproduzir com segurança e aumentariam o tamanho da população.

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“É uma tragédia que a única opção [para evitar a completa extinção] seja retirar os últimos indivíduos de uma espécie da natureza para garantir o seu futuro”, afirmam Brendan Wintle, da Universidade de Melbourne, e Sarah Bekessy, do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, em artigo para a plataforma The Conversation. Só que, após tomar essa decisão, a dupla reconhece que o único caminho é prestar a melhor assistência possível.

É preciso recuperar o habitat

Além de garantir a reprodução da espécie no ambiente controlado, os pesquisadores ressaltam a importância de recuperar o habitat do dragão-sem-orelha-vitoriano para que, um dia, possa ser reintroduzido na natureza.

A questão é que as atividades humanas, como a agricultura e o desenvolvimento habitacional, reduziram estas pastagens a menos de 3% da sua extensão original — antes da ocupação britânica. Essa ínfima porcentagem ainda corre riscos de desmatamento ilegal na Austrália. Em paralelo, espécies invasoras, como gatos, coelhos e cachorros, serão uma ameaça constante ao dragão.

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Então, o desafio será significativo para os envolvidos, já que “apenas manter uma espécie viva em jardins zoológicos não é conservação”, ressaltam Wintle e Bekessy. A meta deve ser estabelecer populações selvagens autossustentáveis, o que fará com que o ​dragão-sem-orelha-vitoriano não corra mais risco de extinção.

Projeto com a biotech Colossal

Para ajudar na preservação da espécie, a biotech norte-americana se comprometeu a doar aproximadamente US$ 300 mil (cerca de 1,5 milhão de reais) para o programa de conservação dos últimos exemplares vivos do dragão-sem-orelha-vitoriano.

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Em contrapartida, os cientistas da empresa participarão ativamente da pesquisa, o que pode ser encarado como um forma de preparação para o que fazer quando o mamute-lanoso for “ressuscitado”, através da tecnologia que envolve a criação de animais híbridos. Estes pesquisadores também sequenciarão o genoma do dragão e irão mapear a sua relação genética com as espécies relacionadas.

“Começaremos a aproveitar algumas das tecnologias de ponta que a Colossal construiu para uma parceria com zoológicos e governos, a fim de proteger espécies ameaçadas”, afirma o diretor da biotech, Matt James, para o jornal The Guardian.

Entre outros benefícios, as descobertas poderão ajudar na melhora da reprodução em cativeiro. Isso porque dados iniciais indicam que, antes de soltá-los na natureza, será preciso estabelecer pelo menos seis populações independentes e autossustentáveis, o que será possível somente com muita ajuda.

Fonte: The Conversation, Royal Society Open Science e The Guardian