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Cientistas conseguem fazer ratos idosos recuperarem a visão

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sipa/Pixabay
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Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, conduziram um experimento que foi capaz de reverter o processo de envelhecimento em nível molecular, fazendo com que ratos idosos conseguissem recuperar a sua visão.

Para o feito, os cientistas fizeram a remoção de milhares de marcadores químicos que foram acumulados no DNA do animal ao longo dos anos, e então "resetaram" suas células para um estado mais jovem. Pouco tempo depois do teste, a visão dos ratos, que foi perdida devido à idade ou por danos nos nervos da retina, voltou a funcionar normalmente.

O estudo foi publicado na revista Nature, na última semana, com os pesquisadores contando que exploraram e desfizeram mudanças epigenéticas específicas, que consistem em alterações feitas na expressão genética dos ratos em vez de fazer nos próprios genes, ao longo do tempo, durante o envelhecimento. David Sinclair, co-autor do estudo, disse que um dos questionamentos da pesquisa foi se era possível "reverter o relógio". "Estabelecemos uma questão: se as mudanças epigenéticas são um fator de envelhecimento, você pode reiniciar o epigenoma?", diz o cientista. 

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Após o tratamento, os ratos que ficaram cegos devido aos danos nos nervos conseguiram desenvolver nervos novos, e de acordo com especialistas, os mamíferos perdem essa capacidade ainda em um momento inicial da vida. "Foi como uma água-viva crescendo no local da lesão. Foi de tirar o fôlego", contou Yuancheng Lu, também co-autor do estudo. Em 2016, Juan Carlos Izpisua Belmonte, biólogo do Instituto Salk, na Califórnia, que não esteve envolvido na pesquisa citada acima, já havia relatado junto à sua equipe os efeitos da expressão de quatro genes de ratos, modificados geneticamente para envelhecerem mais rápido que o normal.

Então, já se sabia ser possível fazer com que as células perdessem a sua identidade de desenvolvimento, como características que, por exemplo, fazem com que uma célula da pele se comporte como tal. Essa ativação do gene durou apenas alguns dias, com a situação sendo desfeita dias depois para que essas células fossem revertidas para um estado mais jovem, mas sem que sua identidade fosse apagada.

Como resultado, os ratos que receberam os testes envelheceram de forma mais lenta e contavam com um padrão epigenético de animais mais jovens. Porém, todo o procedimento trouxe respostas desagradáveis com o futuro desenvolvimento de tumores, uma vez que estudos passados apontam para essa consequência quando os genes forem expressos por muito tempo.

A notícia, não entanto, não deve trazer animação em relação a possíveis resultados em humanos — pelo menos por enquanto. Mesmo assim, a descoberta dos cientistas mostra que é possível investir em truques genéticos para "voltar no tempo" em algumas características que chegam naturalmente com o envelhecimento biológico. Além disso, recentemente, pela primeira vez, cientistas conseguiram reverter o processo de envelhecimento da célula humana, que acontece de forma natural ao longo dos anos. O teste foi feito com 26 pacientes voluntários que inalaram oxigênio puro em uma pressão maior que a existente em nossa atmosfera.

Fonte: Futurism via Nature