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Brasileiros reconstroem rosto de egípcio que viveu há 35 mil anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 24 de Abril de 2023 às 18h44

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Cicero Moraes/Moacir Elias Santos/CC
Cicero Moraes/Moacir Elias Santos/CC

A partir de fragmentos cranianos de um fóssil com aproximadamente 35 mil anos, uma dupla de cientistas brasileiros conseguiu reconstruir o rosto de um egípcio que foi “enterrado” no Vale do Nilo, no Egito. Ao lado do homem, repousava um machado de pedra, típico dos mineiros da época.

A empreitada que permitiu a reconstrução facial foi feita pelo artista e designer 3D, Cicero Moraes, e pelo arqueólogo do Museu de Arqueologia Ciro Flamarion Cardoso, Moacir Elias Santos. Ambos deram rosto a um homem egícpcio conhecido apenas como Nazlet Khater 2 (NK2) — o número é uma referência ao fato de ser o segundo corpo identificado naquele sítio arqueológico no norte da África.

Segundo os autores, a reconstrução teve como base duas pequenas capturas de vídeo dos fragmentos do crânio do homem. Apesar de parco, o material foi suficiente para “reconstruir a volumetria básica do crânio”, acrescentam os pesquisadores, no artigo disponibilizado dentro da plataforma OrtogOnLineMag.

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Reconstrução do rosto de egípcio com mais de 35 mil anos

De forma geral, o esqueleto do mineiro estava praticamente completo, só que faltavam partes do crânio que formavam a face. A vantagem dos pesquisadores é que o lado esquerdo do rosto estava intacto, possibilitando o uso de uma técnica, a aproximação facial forense, que espelhou o lado conhecido e permitiu a reconstrução do direito — em sua maior parte, era desconhecido.

Para aperfeiçoar o processo, também foi usado um software, o que resultou em “dados mais robustos sobre o tamanho dos lábios e do nariz", apontam os cientistas. No final desta etapa, a dupla desenvolveu um modelo "mais objetivo e científico" daquele homem, em tons de cinza, com olhos fechados e sem nenhum tipo de pelo, como é possível observar a seguir:

Mais detalhes sobre o homem encontrado no Vale do Nilo

O primeiro modelo do egípcio foca no que pode ser obtido através da análise dos ossos, mas desconsidera os estudos antropológicos referentes ao fóssil. Por exemplo, pesquisas anteriores do tipo já sugeriram que o homem teria entre 17 e 20 anos e tinha a pele preta. A partir desses detalhes, foi criada uma representação mais artística:

“Ainda que contenha elementos especulativos acerca da aparência do indivíduo, por se tratar de um trabalho que será apresentado ao público geral, fornece os elementos necessários para uma humanização completa, muito difícil de se viabilizar apenas com a exposição do crânio e deficiente na imagem objetiva em escala de cinza e com os olhos fechados”, completam os pesquisadores.

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Vale mencionar que o brasileiro Cicero Moraes já era reconhecido por outras importantes reconstruções faciais, como a de um soldado da Batalha da Gotlândia, em 1361, que morreu vítima de uma machadada na cara. Em outro estudo, ele participou da reconstrução do rosto de uma mulher da Idade da Pedra.

Fonte: OrtogOnLineMag