Arco-íris lunares: saiba o que são, como se formam e como vê-los

Arco-íris lunares: saiba o que são, como se formam e como vê-los

Por Daniele Cavalcante | 24 de Janeiro de 2021 às 15h00
David Blanchard

Arco-íris são fenômenos encantadores. Eles costumam aparecer em um dia claro e chuvoso, e às vezes nas gotículas de água quando se brinca com uma mangueira no jardim de casa. Mas você já viu um arco-íris à noite? Isso mesmo, quando o Sol já foi embora e o céu passa a ser dominado pela luz das estrelas e pelo luar. Talvez seja algo mais raro de se testemunhar, mas as listras coloridas também podem surgir à noite — elas são chamadas de arco-íris lunar, ou "moonbows", em inglês.

Vez ou outra, algum fotógrafo registra um arco-íris lunar (o que não é muito fácil, diga-se de passagem) e publica a imagem nas redes sociais. A foto eventualmente viraliza e o assunto ganha destaque nas redes sociais e veículos de mídia, que às vezes dizem se tratar de um fenômeno raríssimo. Não é bem assim. Arco-íris lunares podem ocorrer com certa frequência, o problema é que geralmente não estamos lá para ver.

Como um arco-íris lunar se forma?

(Imagem: Reprodução/David Blanchard)

Assim como os arco-íris “normais” (ou seja, diurnos), os lunares são fenômenos ópticos criados pela refração da luz. Para criar um arco-íris lunar, vamos precisar de: gotículas de água suspensas na atmosfera, condições de visibilidade adequada, e, claro, da Lua. De preferência, cheia. Com esses ingredientes, há boas chances de vermos um arco-íris lunar, embora nada seja garantido.

Em uma noite de chuva ou neblina, pode acontecer de pequenas gotículas de água ficarem suspensas na atmosfera. O brilho do luar é, na verdade, a luz do Sol refletida na Lua, e essa mesma luz se dirige à Terra e passa pela atmosfera. Quando atravessa as gotículas de água, a luz é dispersa e se divide em suas diferentes cores. Em termos técnicos, a dispersão causa a separação de uma onda em vários componentes espectrais.

A luz é uma onda. E ela também é branca, por causa da soma de todas as cores visíveis. Quando o feixe de luz branca entra na gotícula, temos uma refração. Dentro da gota, ela é refletida, e só então voltar a sofrer uma refração ao sair da pequena esfera aquática. No fim do processo, ela estará dividida nas cores que compõem a luz branca: violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Ou seja, as ondas do espectro que correspondem a estas cores.

(Imagem: Reprodução/LIGHTSOVERLAPLAND.COM)

Cada uma dessas sete ondas passará a vibrar em diferentes ângulos. A luz azul, por exemplo, retorna em um ângulo maior que a luz vermelha, mas devido à reflexão que ocorre dentro da gota, o vermelho aparece na posição mais alta, no topo do arco-íris.

Você já deve ter notado que não há muita diferença na formação de um arco-íris solar e um lunar. Mas há algumas diferenças no resultado final. É que, devido ao fato de a luz refletida na lua ser muito mais fraca que a do Sol, o arco-íris lunar é muito menos luminoso, de modo que você talvez não consiga enxergar todas as cores.

É importante não confundir o arco-íris lunar com o halo lunar. Embora o halo também seja formado através da refração e tenha as mesmas sete cores que já conhecemos, seu formado é de um círculo ao redor da Lua ou do Sol.

Por que não vemos muitos arco-íris lunares?

(Imagem: Reprodução/159photography)

Mas então por que vemos muito mais o fenômeno durante o dia? Bem, há algumas razões para isso. A primeira delas é que a Lua passa por fases, como crescente, minguante e nova. Isso significa que, durante a maior parte do ciclo lunar, não há muitas chances de que seu brilho proporcione um arco-íris perceptível. Por isso, geralmente o vemos em noites de Lua cheia. Outro motivo é que as chuvas capazes de formar um arco-íris são muito mais frequentes durante o dia. Além disso, você precisa estar em um local totalmente livre de poluição luminosa e ter todas as condições atmosféricas adequadas.

Mas há alguns lugares onde o arco-íris noturno pode aparecer a qualquer noite de Lua Cheia — as cachoeiras, queda-d’águas, cascatas e cataratas, entre outros locais onde há água em constante queda. Nesses ambientes, não é necessário chuva ou neblina porque as gotículas de água estão sempre presentes no ar. As chances de ver um arco-íris lunar nas Cataratas do Iguaçu (PR), por exemplo, são grandes.

(Imagem: Reprodução/Dar Tanner)

Por fim, o céu deve estar muito escuro e a Lua deve estar muito baixa, perto do horizonte. Se ela estiver a mais de 42° acima do horizonte, nenhum arco-íris poderá se formar. Quanto mais baixa a posição lunar, maior o arco. Ah, não esqueça que as gotículas de água devem estar na direção oposta da Lua! Muitas vezes, você poderá encontrar um arco lunar branco ou cinza, mas as cores aparecerão nas imagens de longa exposição em câmeras digitais ou analógicas. E se você der a sorte de enxergar um arco-íris lunar brilhante, em todo seu esplendor, aproveite o momento, pois será algo especial.

Fonte: Timeanddate.com

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