A Terra se inclinou há 84 milhões de anos — e sabemos disso graças a bactérias

A Terra se inclinou há 84 milhões de anos — e sabemos disso graças a bactérias

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Outubro de 2021 às 09h08
NASA

Nosso planeta não experimenta apenas oscilação nos polos magnéticos, mas há evidências de que os polos geográficos também foram alterados ao longo das eras. Isso mesmo: o globo terrestre, por algum motivo, girou em um ângulo de 12 graus, só para mais tarde voltar, somando um total de 25 graus de inclinação ao longo de 5 milhões de anos. Ao menos é o que indica um novo estudo, que usou fósseis de bactérias para a descoberta.

Esse fenômeno de inclinação planetária é conhecido como hipótese do deslocamento polar, uma conjectura que descreve uma inclinação, ou precessão, da Terra em um determinado período. Há muito estudo sobre o assunto, incluindo pesquisas a respeito da chamada deriva polar verdadeira que levam a debates intensos sobre quando, como e com que frequência nosso planeta já teve seus polos geográficos alterados.

A deriva polar verdadeira não pode ser confundida, no entanto, com outros fenômenos como o movimento das placas tectônicas ou dos polos magnéticos. As propostas iniciais, escritas por Charles Hapgood antes da teoria sobre as placas tectônicas fosse desenvolvida, era de que a Terra sofreu vários deslocamentos rápidos das suas camadas, cada um demorando cerca de 5.000 anos, seguido de períodos de 20.000 a 30.000 anos sem movimentos polares.

(Imagem: Reprodução/Phys.org)

Hoje, embora os cálculos de Hapgood não tenham se sustentado ante evidências, a deriva polar verdadeira foi estabelecida cientificamente como um fenômeno que ocorreu por várias vezes no passado, mas a taxas de 1 grau por milhão de anos, aproximadamente. Entre os possíveis fatores que causam esse movimento, estão alterações na distribuição de massas na superfície e no manto da Terra. Mas, como dito antes, os debates sobre os números são muitos.

Pois bem, o novo estudo foi atrás de novas pistas em pedras da Itália, na cordilheira dos Apeninos, onde há fósseis de bactérias que contém o mineral magnetita, o mais magnético de todos os elementos da Terra. Isso é importante porque materiais magnéticos são muito bons em "registrar" coisas como a orientação dos polos magnéticos do planeta, e há uma área da ciência para estudar isso: paleomagnetismo.

As bactérias fossilizadas "disseram" à equipe internacional de cientistas que há 84 milhões de anos, no período do Cretáceo Superior, todo o manto e a crosta giravam em torno do núcleo externo (líquido) da Terra, como se estivesse à deriva sobre um fluido. Se pudéssemos ver a Terra do espaço com um efeito de timelapse acelerando os milhões de anos em poucos minutos, pareceria que o planeta tombou de lado, e então, voltou, mais ou menos como um "João bobo".

Se isso estiver correto, os cientistas terão novas pistas sobre as causas da Idade do Gelo, mas, acima de tudo, "desafia a noção de que o eixo de rotação tem sido amplamente estável nos últimos 100 milhões de anos", escreveram os pesquisadores. O estudo foi publicado na Nature Communications.

Fonte: Futurism

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