Estrutura cósmica do tamanho de 200 trilhões de gatinhos é flagrada pelo telescópio Hubble
Por Danielle Cassita |
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O telescópio Hubble revelou uma estrutura para lá de inusitada em Beta Pictoris, um disco de detritos em um sistema de planetas a mais de 60 anos-luz de nós. Ali, há uma estrutura ondulada que lembra a cauda de um gatinho — tanto que os astrônomos deram este apelido a ela. Pois bem, essa cauda cósmica parece ser um vestígio de uma colisão entre dois corpos com o tamanho de Plutão.
Se seu gato de estimação é pequeno e fofo, essa cauda cósmica pertenceria a um felino para lá de grande: sozinha, a cauda tem tamanho para dar 500 voltas no Sistema Solar — ou, se preferir, é tão grande quanto 200 trilhões de gatinhos!
E as diferenças não param aí. Nosso Sistema Solar tem mais ou menos 4,6 bilhões de anos, mas Beta Pictoris é um verdadeiro filhote, com no máximo alguns milhões de anos. Portanto, esse sistema ainda vem sofrendo colisões entre corpos planetários, algo bem parecido com o que ocorreu na juventude do nosso.
Viu um gatinho?
Ao comparar Beta Pictoris e o Sistema Solar, fica claro que nossa vizinhança cósmica é bem organizada: basta considerar que os planetas orbitam o Sol em grupos separados pelo Cinturão de Asteroides encontrado entre Marte e Júpiter; após Netuno, fica o Cinturão de Kuiper, repleto de objetos congelados.
Como já não é mais possível observar o passado do nosso sistema, uma das melhores formas é estudar aqueles que ainda são jovens, como Beta Pictoris. No caso, este sistema é feito de longas cadeias de átomos de carbono, que absorvem a luz e parecem ter cor escura. Ainda, os pesquisadores descobriram uma aparente distorção, que parece o resultado de interações entre a trilha de matéria da “cauda” e um dos planetas do sistema.
“Isso nos dá mais uma linha de evidência sobre como os planetas gigantes influenciam os cometas por meio de sua imensa força gravitacional”, disse Arin Avsar, autor que liderou o estudo. “É uma prova de quão profundamente esses planetas massivos realmente influenciam a poeira e os corpos gelados ao seu redor, em um raio de centenas de unidades astronômicas [sendo que uma unidade astronômica é a distância entre a Terra e o Sol].”
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
