CES 2020 | Novos parâmetros do Bluetooth prometem melhor qualidade sonora

Por Rafael Arbulu | 07 de Janeiro de 2020 às 12h10
Divulgação

O Bluetooth SIG, grupo responsável por estabelecer as diretrizes de funcionamento do bluetooth, esteve presente durante a Consumer Electronics Show (CES) 2020, prometendo estabelecer uma nova série de parâmetros da tecnologia a fim de aprimorar a experiência dos usuários que fazem uso dela.

A primeira e mais notável mudança anunciada pelo grupo é a criação de uma política de suporte ao “guarda-chuva” Bluetooth LE Audio, um rótulo generalizado que inclui uma série de funções técnicas supostamente mais evoluídas que o formato atual, incluindo melhor qualidade e desempenho de áudio, suporte a deficientes auditivos, transmissão de áudio para vários remetentes e melhor sincronia e funcionamento com earbuds e outros fones sem fio.

O grupo também falou de um parâmetro que, especula-se, deve ser aquele que mais vai afetar a vida dos usuários: a adoção do codec conhecimento como “LC3” – uma sigla para “Low Complexity Communication Codec”. Sua principal atribuição é a de reduzir o consumo de energia de aparelhos conectados via bluetooth, ao mesmo tempo em que aprimora a qualidade dos sons reproduzidos. Atualmente, a maior parte dos aparelhos divide-se entre o (péssimo) SBC (Sub Band Codec) ou a tecnologia conhecida como AptX, de propriedade da Qualcomm.

O problema: o SBC pode até ter seu bitrate ampliado, mas ao fazer isso, sacrifica-se a economia do consumo de energia. Já o LC3 traz um bitrate (a taxa de bits transmitidos por uma conexão ou rede) – notavelmente maior que os padrões atuais e, por isso, testes do Bluetooth SIG indicaram que usuários mostraram uma maior afinidade com ele.

Quadro comparativo do atual codec SBC, amplamente usado pela maior parte dos dispositivos com suporte à conexão Bluetooth; e o LC3, que deve ser adotado como o novo padrão da tecnologia (Imagem: Divulgação/Bluetooth SIG)

Uma coisa boa nessas mudanças é o já tardio suporte a deficientes auditivos: o Bluetooth SIG diz já estar trabalhando com uma associação de instrumentos de áudio para esse público específico, a fim de assegurar uma forte adoção dos novos parâmetros em vários dispositivos – não limitando-se apenas a smartphones e tablets, mas também computadores pessoais, automotivos e até televisores.

Isso é possível, segundo o grupo, porque o Bluetooth LE Audio traz uma função de transmissão massificada que permite ao público conectar-se a dispositivos outrora “inconectáveis”. Essa mesma função, por exemplo, pode teoricamente permitir que todos em uma sala de cinema possam se conectar com seus fones, via Bluetooth, para o som do filme. A mesma aplicação vem sendo estudada para o auxílio a deficientes auditivos, mas o grupo disse ainda não estar pronto para fazer um anúncio com detalhamento mais técnico desta parte.

Finalmente, o Bluetooth LE Audio permitirá a transmissão de áudio por vários canais simultâneos (multistream), o que não é exatamente uma novidade: a Apple já vem fazendo isso desde a chegada dos primeiros AirPods, por meio de softwares proprietários. A grosso modo, o que o grupo quer fazer é pegar uma tecnologia aproveitada por um grupo específico e pulverizá-la para toda a base de usuários.

O problema: nada disso terá uma implementação rápida. Apesar dos parâmetros novos em si já estarem bem determinados, cabe ainda às fabricantes encontrarem formas de empregá-los em seus novos produtos, e isso leva tempo. Muito tempo. O Bluetooth SIG promete que as novas diretrizes deverão tomar efeito até o meio de 2020 – junho ou julho, digamos –, mas dado o calendário de novos produtos da maioria das grandes fabricantes, o real impacto disso deve começar a ser sentido pelo usuário lá pelo final do ano, ou, mais provavelmente, 2021.

Fonte: The Verge

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