Uber ameaça demitir engenheiro envolvido em processo contra Alphabet

Por Redação | 19 de Maio de 2017 às 10h07

A fogueira do processo entre Uber e Alphabet não para de queimar, cada vez mais forte. De acordo com novos documentos submetidos à justiça pelos advogados de Anthony Levandowski, o engenheiro que está sendo acusado de roubar segredos relacionados a carros autônomos, ele teria sido ameaçado de demissão pela empresa de transportes caso não entregasse os documentos relacionados ao caso de volta à Waymo, braço do conglomerado também responsável por trabalhos nessa tecnologia.

As conversas vieram após uma decisão do juiz responsável pelo caso, William Alsup, que, na última semana, ordenou que a Uber devolvesse os materiais que pertencem à rival até o dia 31 de maio. Além disso, pediu que o engenheiro fosse afastado de qualquer tipo de operação relacionada aos carros autônomos, de forma a não usar tais segredos nos trabalhos que estão em andamento.

Para os advogados de Levandowski, a ordem vai contra direitos constitucionais do cliente, como a garantia de que ele não pode produzir provas contra si mesmo. Ao entregar os documentos pedidos, porém, ele estaria fazendo exatamente isso. Além disso, acusam a Uber de tentar lavar as próprias mãos, resolvendo suas pendências com a Waymo e atirando o engenheiro aos leões.

A empresa de transportes não nega que seu engenheiro está de posse dos segredos da rival, mas afirma que nenhuma das tecnologias da Waymo foi utilizada em seus esforços de desenvolvimento de carros autônomos. O juiz também discorda, afirmando ter, em análise, encontrado pelo menos “algumas” comprovações desse ato, julgando que a ação movida pela Alphabet é procedente.

Entretanto, Alsup também negou um pedido do conglomerado para ser ouvido em particular, de forma a proteger o vazamento de informações confidenciais. A decisão garante que o processo continue a correr na corte federal de São Francisco, nos Estados Unidos, e a continuidade dos trabalhos, agora, aguarda novas deliberações ou o cumprimento da ordem emitida na última semana.

A Uber não comentou sobre as supostas ameaças de demissão recebidas por Levandowski. Ele deixou a Waymo - uma subsidiária da Alphabet, empresa da qual o Google também é parte - em janeiro de 2016 e fundou a Otto, uma startup de pesquisa com caminhões autônomos, que foi comprada pela Uber em agosto. Até abril, o engenheiro era o líder do projeto de carros que se dirigem sozinhos na companhia, até ser afastado do cargo após as denúncias de roubo de propriedade intelectual.

Fonte: Reuters

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