Pode encher o tanque "até a boca"? Entenda os problemas da prática

Pode encher o tanque "até a boca"? Entenda os problemas da prática

Por Paulo Amaral | Editado por Jones Oliveira | 17 de Outubro de 2021 às 10h00
Erick MClean/Unspash

“Para no automático ou pode completar, chefia?”. Certamente você já deve ter perdido as contas de quantas vezes precisou responder a essa pergunta para o frentista do posto, não é mesmo? O que talvez você não saiba é que o impulso de mandar encher o tanque até a boca pode danificar não apenas o carro, mas também causar malefícios ao funcionário do posto e até ao meio-ambiente.

Essa prática, na verdade, não causava tantos problemas antes da década de 1990. Os carros fabricados antes desse período não contavam com o cânister. E o que é o cânister? De uma maneira bem simples e didática, é um filtro que absorve os gases que saem do tanque de combustível e reduzem sua nocividade. A função é similar a do catalisador, que fica localizado no escapamento.

Quando um carro é abastecido “até a boca”, ou seja, toda vez que o frentista não para ao ouvir o primeiro “clique” da bomba (o famoso automático), o excesso de combustível entra em contato com o cânister. E é aí que tem início uma dor de cabeça que pode acabar custando bem mais caro do que os poucos reais que você optou por “chuchar” no tanque para ver se rodava um pouquinho mais antes de ter que voltar ao posto.

“O gás do tanque é tratado em um filtro de carvão ativado. Quando você enche até a boca, em vez de vapor, passa o líquido. Isso acaba danificando esse filtro e, por consequência, gerando altos custos para a reparação das peças”, comentou Douglas Quirino, proprietário da Injetronic Centro Automotivo, em entrevista ao Canaltech.

“O cânister é o sistema preparado para fazer o tratamento do sistema de vapor e não de líquido. A linha toda, incluindo a válvula e o reservatório do cânister, fica comprometida quando o combustível ultrapassa o limite do automático”, complementou o especialista, que há quatro anos gerencia uma das oficinas credenciadas para manutenção dos carros da Polícia Militar e dos caminhões do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Outros riscos

Imagem: Sippakorn Yamkasikorn/Unsplash

Além dos alertas do proprietário da Injetronic, é importante frisar que não é somente a “saúde” dos carros que fica prejudicada com a prática. O expediente de ultrapassar a parada automática do sistema coloca em risco até mesmo a saúde dos frentistas.

O problema é que o vazamento pode acabar fazendo com que o profissional fique exposto por um tempo prolongado ao benzeno, que é um gás considerado cancerígeno (o mesmo do “cheirinho” de carro novo que abordamos por aqui, lembra?). Por conta disso, em alguns postos de combustível já há orientação, e até placas informativas, para que o frentista não avance após o automático, mesmo se o cliente pedir.

Meio ambiente

O meio ambiente também não passa incólume aos problemas causados por quem insiste em “chuchar” gasolina até a boca e não respeita os limites estabelecidos pelas bombas de combustível.

Isso acontece porque o cânister danificado pelo vazamento do líquido no carvão ativado perde sua função principal, que é a de filtrar os poluentes que são liberados durante o abastecimento. Isso acaba gerando um aumento da poluição produzida pelos carros.

Conclusão, canaltechers: quando o frentista fizer a famosa pergunta “completa ou para no automático, patrão?”, a resposta correta só pode ser uma: “No automático está bom, obrigado”.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.