Publicidade

O custo escondido na troca de um carro elétrico: a dança dos wallboxes

Por  | 

Wallbox carregador carro elétrico
go-e/Unsplash/CC

Trocar um carro elétrico por outro pode trazer um custo que não aparece na negociação do veículo: o wallbox instalado em casa. Quando o proprietário vende o carro (ou muda de endereço), surge a necessidade de decidir o que fazer com o carregador. Retirar o equipamento, transportar e instalar novamente na nova residência envolve mão de obra, material e, em alguns casos, uma nova adequação elétrica.

Continua após a publicidade

O problema é que não basta simplesmente desparafusar o wallbox e levá-lo para outro lugar. A desinstalação deve ser feita por um eletricista qualificado e a nova instalação pode exigir fiação, disjuntores, adaptações no quadro de força e revisão do projeto elétrico. Dependendo da distância entre a vaga e o quadro, o custo de uma instalação residencial pode ficar entre R$ 1.500 e R$ 4.000, ou até mais.

Diante disso, aparece uma dúvida importante para quem está vendendo um elétrico usado: vale a pena retirar o carregador e instalar novamente no novo endereço ou deixar o wallbox com o carro e negociar um desconto? A resposta depende do equipamento, da infraestrutura da nova residência e, principalmente, da diferença entre o custo da reinstalação e o valor que pode ser abatido na negociação.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Trocar de carro pode significar trocar também o wallbox

“O custo escondido na troca de carro, quando você tem essa devolução de wallbox, é realmente ter um custo de um técnico para colocar o novo”, explicou Thiago Castilha, sócio-diretor da E-wolf Carregadores, em entrevista para o CT Auto. Segundo ele, o trabalho não necessariamente termina na retirada do equipamento, porque o profissional que assume a responsabilidade pela nova instalação pode precisar revisar toda a estrutura elétrica.

Isso acontece principalmente quando o carro novo utiliza um carregador diferente ou exige maior potência. Nesse caso, o proprietário pode descobrir que a instalação feita para o veículo anterior não é suficiente para o novo modelo. O resultado é mais material, mais mão de obra e mais tempo até o carregador voltar a funcionar.

Wallbox pode custar milhares de reais para ser reinstalado

O custo de instalação de um carregador residencial fica normalmente entre R$ 1.500 e R$ 4.000, mas pode passar desse valor. Um dos fatores que mais pesam é a distância entre o quadro elétrico e o ponto onde o carro será carregado, já que uma instalação mais distante exige mais cabos e pode aumentar o tempo de serviço.

Na troca do carro, portanto, o proprietário pode ter de pagar por uma série de etapas que já haviam sido realizadas na residência anterior:

  • desinstalação do wallbox;
  • mão de obra de eletricista qualificado;
  • novos cabos e materiais;
  • instalação no novo endereço;
  • adequação do quadro elétrico;
  • troca de disjuntores, quando necessária;
  • revisão do projeto elétrico;
  • eventuais adaptações para a potência do novo carregador.
Continua após a publicidade

Carregador mais potente pode aumentar o retrabalho

A situação fica mais complicada quando o novo carro elétrico tem capacidade de recarga superior à do modelo vendido. Nesse caso, simplesmente levar o wallbox antigo para a nova casa pode não resolver o problema. O equipamento e a infraestrutura precisam ser compatíveis com a demanda do veículo.

“Não é só trocar o carregador”, alertou Castilha. Segundo o especialista, em determinadas situações é necessário refazer toda a fiação, trocar o quadro elétrico e rever o projeto. Ou seja, quem imagina que vai apenas retirar o equipamento antigo e instalar outro pode acabar diante de uma obra elétrica maior do que esperava.

Continua após a publicidade

Novo endereço pode exigir nova fiação

Mesmo quando o proprietário pretende manter o wallbox atual, a instalação da nova residência pode ser completamente diferente. A distância até a vaga, a capacidade da rede elétrica e a estrutura disponível no imóvel determinam o que será necessário para colocar o carregador em funcionamento com segurança.

Castilha explicou que, em algumas situações, a residência pode precisar de uma mudança de tensão. “Quando a gente fala de fiação nova, se na residência, que a maioria não tem, salvo algumas cidades do Brasil, algumas regiões, você tem que elevar a sua voltagem, então você vai ter que subir para 380 e aí requer um trafo”, afirma. Segundo ele, o transformador pode representar um custo próximo ao da própria instalação.

Continua após a publicidade

Fazer a instalação por conta própria pode sair caro

A tentativa de economizar na mão de obra também pode trazer outro problema. A instalação de um wallbox envolve carga elétrica elevada e precisa seguir especificações técnicas. Retirar ou instalar o equipamento sem conhecimento adequado pode representar risco e ainda criar problemas relacionados à garantia.

Por isso, a economia de contratar alguém sem qualificação pode acabar custando mais. Além da possibilidade de uma instalação inadequada, o proprietário pode perder a cobertura da garantia do carregador caso o fabricante exija instalação realizada por profissional habilitado ou seguindo procedimentos específicos.

Continua após a publicidade

Vale mais a pena ficar com o wallbox?

É aqui que a conta da troca do carro elétrico começa a ficar interessante. Se a retirada e a reinstalação do equipamento custarem alguns milhares de reais, o proprietário pode comparar esse valor com o desconto que teria de conceder ao comprador para deixar o wallbox instalado na casa antiga.

Na prática, existem dois cenários. Entregar o carro com o wallbox pode facilitar a negociação e evitar o custo de retirada e reinstalação. Ficar com o carregador, por outro lado, permite utilizá-lo com o novo veículo, mas exige assumir todas as despesas para desmontar, transportar e instalar novamente o equipamento.

Continua após a publicidade

Segurança também entra na conta

Para Castilha, a segurança não pode ser tratada como um gasto dispensável para reduzir o preço da troca. “Não pode enxergar segurança como prejuízo, como custo. Ela é um investimento”, afirmou. O especialista ressalta que uma instalação adequada também ajuda a preservar o equipamento e a bateria do carro.

Por isso, a decisão sobre levar ou deixar o wallbox não deveria considerar apenas o preço do carregador. É preciso colocar na ponta do lápis a retirada, a nova fiação, a mão de obra, possíveis adequações elétricas e o custo de uma eventual instalação mais potente. Em alguns casos, deixar o equipamento com o carro vendido e negociar um desconto pode evitar uma despesa maior.

Continua após a publicidade

Gostou do assunto e quer saber mais sobre carregadores residenciais para carros elétricos? Então confira como instalar um wallbox em condomínios e, também, qual o horário "proibido" para efetuar recargas em casa.