BMW inicia "Big Brother" nos carros elétricos para treinar IA de segurança
Por Danielle Cassita |

A BMW acaba de iniciar na Alemanha um programa inédito de coleta de dados e imagens em tempo real com seus carros elétricos. A iniciativa chegou primeiro no novo BMW iX3 com muita tecnologia: basicamente, a marca quer usar os sensores e câmeras dos carros dos clientes para registrar “quase acidentes” em situações reais de trânsito para criar um banco de dados com condições de uso real, mais fiéis que simulações.
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Com o programa, a BMW quer "tomar nota" dos acontecimentos dentro e nos arredores do carro em situações do tipo. Por outro lado, as gravações não vão ser contínuas, e as câmeras externas e sensores só salvam informações em eventos específicos, como intervenções do freio automático de emergência ou desvios repentinos durante mudanças de faixa.
O que a montadora alemã busca é aprimorar seus sistemas de condução semiautônoma, ou seja, quer usar os dados para que a inteligência artificial aprenda com manobras evasivas e frenagens bruscas do cotidiano. Para isso, basta que o proprietário do carro dê o consentimento para a coleta de dados.
Privacidade e anonimato dos dados
Ciente das polêmicas de privacidade de iniciativas semelhantes que já afetaram concorrentes como a Tesla, a BMW implementou camadas de segurança para evitar a identificação de motoristas. A empresa afirma que rostos de pessoas e placas de outros veículos são desfocados antes mesmo de serem enviados ao servidores.
Além disso, ao chegarem aos servidores da montadora, o número de identificação do veículo é removido automaticamente, o que tornaria tecnicamente impossível rastrear a origem da gravação até um usuário específico.
Por enquanto, a tecnologia vale só para a Alemanha, mas a BMW quer levar sua frota com a “rede viva de aprendizado” gradualmente ao restante da Europa.