#CPNatal | Projeto que simula Marte incentiva ciência e sustentabilidade no RN

Por Sérgio Oliveira | 13 de Abril de 2018 às 15h58
Sergio Oliveira/Canaltech

A exploração espacial desperta a curiosidade em todo mundo. Quando o tema se concentra em Marte, então, sempre surgem questões como "os marcianos realmente existem?", "realmente há água no Planeta Vermelho?" e "como será que seria viver lá?".

Toda essas questões devem ser respondidas em 2030, quando Elon Musk pretende dar início à colonização de Marte. Mas, até lá, alguns projetos já vêm estudando como o ser humano terá de se virar e sobreviver longe da Terra. E um deles é desenvolvido no interior do Rio Grande do Norte.

Habitat Marte

Encabeçado pelo professor de Engenharia da Produção da UFRN Júlio Rezende, o Habitat Marte é a primeira estação de pesquisa sobre Marte da América do Sul. Localizada em Caiçara do Rio do Vento, uma cidadezinha de pouco mais de 3.500 habitantes na região do semiárido do RN, ela busca desenvolver tecnologias para apoiar o funcionamento de um habitat específico para o planeta vermelho.

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Rezende conta que a ideia surgiu depois que ele foi chamado para comandar uma missão no Mars Desert Research Station (MDRS), no deserto de Utah, nos Estados Unidos. Depois da experiência, ele resolveu que reproduziria o experimento que imagina e simula habitats em Marte no Rio Grande do Norte.

A ideia tomou forma e se concretizou em dezembro de 2017, quando aconteceu a primeira missão no Habitat Marte, que funciona no Núcleo de Pesquisas em Engenharia, Ciência e Sustentabilidade do Semiárido (Nupecs). Durante todo um fim de semana, a equipe composta por três graduandos e por Rezende realizou atividades como coleta de amostra de solo e minérios, observação astronômica, melhorias dos sistemas de apoio à vida, testes e avaliações dos trajes espaciais e do Módulo Autônomo de Resfriamento Sustentável, entre outras.

De lá para cá, uma segunda missão foi realizada e a terceira está agendada para ocorrer nos dias 27 e 28 de abril. Os participantes são escolhidos em um processo seletivo, que recebe inscrições de estudantes de ensino médio e superior, professores e profissionais.

Equipe da primeira missão no Habitat Marte, em Caiçara do Rio do Vento
Equipe da primeira missão no Habitat Marte, em Caiçara do Rio do Vento (Foto: Júlio Rezende)

Incentivo à ciência e sustentabilidade

Seguindo a tônica da Campus Party Natal de incentivar a aproximação do público com a ciência e o empreendedorismo, Rezende afirma que a ideia do Habitat Marte vai muito além de simular o ambiente do planeta vizinho. O grande objetivo do projeto, segundo ele, é incentivar a ciência e, sobretudo, despertar o interesse de crianças e jovens pela exploração espacial.

Para tanto, o professor conduz ações junto a escolas públicas para que seus alunos visitem as instalações do habitat e se sintam motivados a conhecer mais sobre o tema. "Com isso a gente quer mostrar que a ciência não é uma coisa distante nem difícil. O que falta é intimidade das pessoas com ela", defende.

Um outro propósito do plano de Rezende é aplicar as tecnologias pensadas para Marte para solucionar problemas da região do semiárido. Nesse aspecto, as missões se concentram principalmente em desenvolver técnicas, procedimentos e tecnologias de saneamento e reutilização da água - um bem natural de extrema importância para uma região que recebe pouquíssimas chuvas ao longo do ano.

Como mencionado antes, o Habitat Marte está aberto para acolher aspirantes a astronautas de todas as idades e setores. O projeto já tem um calendário que prevê a realização de mais nove missões em 2018, uma por mês, sempre aos fins de semana. Quem quiser participar pode consultar o site oficial do Habitat Marte.

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