Uber amplia perdas e ações têm queda de 10% no segundo dia de pregão

Por Thaís Augusto | 13 de Maio de 2019 às 15h01
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As ações da Uber operam em baixa de 10,21% por volta das 13h30 desta segunda-feira (13), mais do que dobrando as perdas sentidas na estreia de Wall Street e colocando em xeque a confiança dos investidores.

Na sexta-feira (10), os papéis da Uber encerraram o pregão a US$ 42 – a empresa havia definido o valor inicial de suas ações a US$ 45, o que muitos analistas já haviam interpretado como uma falta de confiança. Agora, cada ação da companhia está sendo vendida a US$ 37,37.

A máxima do dia foi de US$ 39,24. De acordo com analistas, a queda nas ações está sendo influenciada por novas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.

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Nos últimos dois meses, a Uber reduziu suas expectativas de avaliação duas vezes para acalmar as preocupações de investidores que questionavam os crescentes prejuízos da empresa. No fim, a Uber acabou precificando sua oferta pública inicial no limite.

A rival Lyft também vive momentos difíceis: quando a empresa anunciou sua oferta pública inicial, o valor de cada ação estava precificado a US$ 72. Desde então, elas caíram 5,3% a US$ 48,35.

"Nas últimas duas semanas, os investidores estão questionando mais sobre o quão bom é um modelo de negócio de compartilhamento de carro", disse o analista da D.A. Davidson, Tom White.

Ambas as empresas tentam encontrar maneiras de reduzir os custos de motoristas para se tornarem lucrativas. Enquanto isso, condutores estão protestando em todo o mundo exigindo segurança no emprego, melhores rendimentos e um valor máximo das taxas que as empresas podem cobrar das corridas.

Motoristas protestam contra a Uber em Nova York (Foto: Mark Lennihan/AP)

Os investidores ainda têm se esforçado para descobrir quanto valem a Uber e a Lyft – nenhuma das empresas estimam um cronograma de lucro. Na semana passada, a Lyft anunciou um prejuízo trimestral de US$ 1,1 bilhão e disse que suas perdas atingirão o pico este ano.

Já as previsões da Uber são mais alarmantes: em um documento, a empresa compartilhou o "receio" de que talvez nunca se torne lucrativa.

Ainda de acordo com o analista da D.A Davidson, os investidores se questionam se a lucratividade exigirá que as empresas aumentem os preços para o consumidor ou reduzam a qualidade do serviço.

O analista da Wedbush, Ygal Arounian, é mais otimista sobre a situação da Uber. Ele diz que os investidores precisam ter paciência para que a Uber alcance o seu potencial total de monetização impulsionada por outras plataformas como o Uber Eats e Uber Freight, aplicativo para caminhoneiros nos Estados Unidos.

"Embora leve tempo para as ações se estabilizarem, a Uber deve alcançar um valor de mercado de mais de US$ 100 bilhões nos próximos 12 a 18 meses".

Uber tenta acalmar ânimos

Depois de mais um dia decepcionante no mercado, o CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, enviou um memorando aos funcionários dizendo que "obviamente, nossas ações não foram negociadas tão bem quanto esperávamos após o IPO".

Ele também admitiu que esta segunda-feira foi outro "dia difícil no mercado": o índice Dow Jones caiu mais de 600 pontos depois que a China retaliou os Estados Unidos com tarifas de US$ 60 bilhões em importações de produtos na atual guerra comercial.

CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, no New York Stock Exchange (Foto: Michael Nagle | Bloomberg | Getty Images)

Khosrowshahi pediu aos funcionários que olhassem para trás e relembrassem as dificuldades enfrentadas por Facebook e Amazon quando lançaram suas ofertas públicas de ações. O CEO ainda ressaltou que o IPO levantou muito capital para a empresa, dinheiro que será reinvestido para melhorar as margens e os lucros.

Leia o memorando completo:

Equipe Uber:

Estou ansioso para encontrar vocês no [evento] All Hands amanhã, mas queria enviar-lhes uma nota rápida nesse meio tempo.

Primeiramente, quero agradecer a todos por sua paixão e compromisso com a Uber. Nós simplesmente não estaríamos aqui sem vocês.

Como todos os períodos de transição, há altos e baixos. Obviamente, nossas ações não foram negociadas tão bem quanto esperávamos após o IPO. Hoje é outro dia difícil no mercado, e espero o mesmo no que diz respeito às nossas ações.

Mas é essencial mantermos nossos olhos no valor de longo prazo da Uber para nossos clientes, parceiros, motoristas e investidores.

Todas as ações são avaliadas com base nos fluxos de caixa/lucros futuros projetados que a empresa deve gerar ao longo de sua vida útil. Existem muitas versões do nosso futuro que são altamente lucrativas e valiosas, e há, é claro, algumas que são menos. Durante os tempos de sentimento negativo do mercado, as vozes pessimistas ficam mais altas e as vozes otimistas recuam.

Deixaremos claro o nosso incrível valor como uma empresa que está mudando a maneira como o mundo se move, mas também o valor que estamos construindo para nossos proprietários. Mas há uma maneira simples de termos sucesso focar no trabalho em mãos e executar nossos planos de maneira eficaz.

Lembrem-se que o mercado para o Facebook e para a Amazon pós-IPO foi incrivelmente difícil. E veja como eles entregaram [resultados] desde então.

Nosso caminho será o mesmo. O sentimento não muda da noite para o dia, e espero alguns tempos difíceis de mercado público nos próximos meses. Mas temos todo o capital de que precisamos para melhorar as margens e os lucros. À medida que o mercado vê evidências, o sentimento melhorará e, à medida que o sentimento melhorar, as ações seguirão. Não poderemos controlar o tempo, mas poderemos controlar o resultado.

Seremos julgados no longo prazo pelo nosso desempenho, e eu saúdo isso. Está tudo em nossas mãos.

Estou ansioso para estar lá no All Hands para responder perguntas e contar mais.

Fonte: Reuters e CNBC

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