Tesla perde US$ 244 bilhões em valor de mercado em apenas um mês

Por Rui Maciel | 08 de Março de 2021 às 19h10
Tesla

Se nos últimos tempos a Tesla só tinha motivos para comemorar, fevereiro os primeiros dias de março são exatamente o oposto: as ações da montadora de Elon Musk caíram pelo quinto dia consecutivo nesta segunda-feira, apanhada no meio de uma liquidação de papéis das empresas de tecnologia. Com isso, a empresa perdeu US$ 244 bilhões do seu valor de mercado.

As ações de alta tecnologia, que impulsionaram a recuperação do mercado durante o ápice da pandemia em março do ano passado, foram atingidas por um golpe duplo: o de rendimentos crescentes e investidores transferindo fundos para setores que devem se beneficiar de uma recuperação na economia global - auxiliada pelo lançamento acelerado de vacinas contra a COVID-19, principalmente nos países do Primeiro Mundo.

“As pessoas valorizaram essas ações de forma super agressiva, levando-as de US$ 40 para US$ 900", disse Craig Irwin, analista da Roth Capital Partners à agência de notícias Reuters. "E isso significa que, geralmente, essa desvalorização se dá com a mesma rapidez. Obviamente havia um exagero quando as ações de algumas empresas custavam US$ 200. E muito mais exagerado quando elas custavam US$ 900".

O índice Nasdaq - a Bolsa de Valores da empresas de alta tecnologia - caiu mais de 8% nas últimas três semanas. As ações da Tesla caíram até 3,1% nesta segunda-feira (08), enquanto as concorrentes Nio Inc e Li Auto caíram quase 3%.

A indústria automobilística mais ampla tem sido pressionada pela escassez global de chips semicondutores, o que causou um grande atraso nas atividades de fabricação e forçou muitas empresas a reduzir a produção. No final de fevereiro, Elon Musk disse que a fábrica da montadora em Fremont, Califórnia, foi fechada por dois dias devido à “escassez de peças”.

Elon Musk: US$ 43 bilhões mais "pobre" (Imagem: GIPHY)


A Tesla anunciou no começo de janeiro que não conseguiu atingir a sua meta de entregar 500 mil veículos em 2020. Mas foi por pouco. A montadora afirma que foram despachados 499.550 carros no ano passado, ou seja, 450 a menos do que o prometido pelo CEO da empresa, Elon Musk.

Diversos analistas do mercado já haviam afirmado que a Tesla teria dificuldades em bater a meta em questão neste cenário de pandemia de COVID-19, quando houve queda na venda de automóveis. Com um cenário de desemprego adiante, os consumidores reduziram seus gastos no ano passado. Com isso, as vendas da montadora caíram 15% no primeiro semestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.

Para atingir o objetivo de 500 mil entregas, a Tesla precisava vender 181.650 carros no último trimestre do ano passado, o que significava um aumento de 30% em relação aos três meses anteriores. A própria empresa, durante a apresentação dos resultados do 3º tri, já havia dito que atingir a meta "se tornara difícil". No entanto, ela afirmou que isso seria possível caso a logística e a entrega do modelo Y se tornasse mais eficiente a partir de sua fábrica em Xangai, na China.

O derretimento no preço das ações da Tesla reduziu a riqueza pessoal de Musk em US$ 43 bilhões na sexta-feira (5), de acordo com cálculos da Reuters.

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