Quarta maior fabricante de smartphones, Xiaomi perde 40% do valor em seis meses

Por Rafael Rodrigues da Silva | 16 de Janeiro de 2019 às 19h59
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Devido ao seu crescimento assombroso desde que entrou no ramo dos smartphones, a Xiaomi já foi chamada pelos analistas do mercado tech de “a Apple da China”. E, assim como a empresa americana, a fabricante de smartphones chinesa também não está na melhor de suas fases.

Ela já perdeu 25% de seu valor de mercado apenas neste ano, e o valor de suas ações está no nível mais baixo da história da empresa (menos de US$ 1,30 cada), o que faz com que o valor da companhia gire em torno dos US$ 30 bilhões.

Fundada em 2010, a Xiaomi fez sucesso no mercado local e internacional produzindo smartphones de qualidade com preços menores que os de suas concorrentes. A empresa se tornou pública em julho do ano passado, e foi avaliada em cerca de US$ 54 bilhões — quase o dobro do valor de mercado atual há apenas seis meses. Mas o que explicaria uma queda tão brusca em tão pouco tempo?

Um dos motivos é a saturação do mercado de smartphones, onde há cada vez menos espaço para crescimento e no qual os consumidores estão aumentando o tempo existente entre as trocas de aparelhos. Essa é uma tendência que já têm sido alertada há meses pelos analistas, mas parece que apenas nas últimas semanas — quando empresas como a Apple e a Samsung anunciaram que as vendas de fim de ano foram menores do que o esperado — os analistas começaram a ouvir esses alertas. Como a quarta maior fabricante de smartphones do mundo, é lógico que a Xiaomi também sentiria o baque dessa saturação. E, mesmo que os outros produtos da companhia estejam vendendo bem, os smartphones ainda respondem por 70% de todo o rendimento da empresa, então uma estagnação no setor terá um forte impacto sobre as operações dela.

Outro motivo para essa queda pronunciada é o timing: como na semana passada completaram-se seis meses desde que a empresa tornou suas ações públicas na bolsa de Hong Kong, aqueles que compraram durante a abertura poderiam vender suas ações a partir de semana passada, e por isso a empresa foi afetada por um número absurdo de investidores vendendo suas ações, o que acabou dando a impressão de que a empresa estava numa situação pior do que a realidade.

Outro problema é a estagnação do próprio mercado interno chinês, que vem desacelerando a cada ano e é responsável por cerca de 70% das receitas da Xiaomi. Depois de anos aplicando políticas econômicas visando diminuir a dívida externa do país e de uma guerra fiscal com os Estados Unidos que durou todo o ano de 2018 (e que deve se estender pelo menos por mais este ano) significaram um baque grande na economia interna do país, que vive uma espécie de recessão e, por isso, tem diminuído o consumo de produtos considerados “supérfluos”, como os smartphones. A queda das vendas de aparelhos no país têm afetado não apenas a Xiaomi, mas também a Apple e a Samsung, que culpam a crise na China como um dos principais responsáveis por suas vendas de fim de ano terem sido abaixo do esperado.

Apesar disso, a Xiaomi ainda continua forte no mercado, e ainda que esses fatores possam significar que ela deve diminuir suas expectativas para este ano, ainda não há perigo de a empresa entrar em falência ou algo do tipo — a menos que aconteça alguma catástrofe.

Fonte: CNBC

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