Highline dá "chapéu" em TIM, Claro e Vivo e comprará telefonia móvel da Oi

Por Rui Maciel | 23 de Julho de 2020 às 17h45
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Em recuperação judicial, a Oi anunciou na noite da última quarta-feira (22) que fechou um acordo para negociar com exclusividade a venda de sua unidade de telefonia móvel para a Highline do Brasil, empresa de infraestrutura em telecomunicações. O negócio surpreendeu o mercado e, principalmente, põe fim ao desejo das concorrentes Claro, Vivo e TIM, que haviam feito uma oferta conjunta por essa divisão da Oi, para depois compartilhá-la entre elas.

De acordo com a Oi, a Highline apresentou a melhor proposta acima do preço mínimo de R$ 15 bilhões, que fora estipulado por sua unidade mobile de telefonia. A exclusividade negociada entre a Oi e a Highline termina no próximo dia 03 de agosto, mas há a possibilidade de prorrogação. Além disso, a companhia também terá o direito de cobrir outras propostas recebidas no processo.

Além da divisão de telefonia móvel, a Highline também apresentou uma proposta de compra pelos ativos de telecomunicação outdoor e indoor de transmissão de radiofrequencia da Oi. O valor ofertado foi de R$ 1,076 bilhão.

Quem é a Highline do Brasil e o que ela planeja

Fundada em 2012 pela gestora Pária Investimentos - e vendida em dezembro do ano passado para a norte-americana Digital Colony - a Highline do Brasil é uma desenvolvedora independente de soluções de infraestrutura para a indústria de telecomunicações. Segundo o site da empresa, ela é especializada na construção e operação de diferentes tipos de solução para instalação de equipamentos de telecomunicação destinados a transmissão de voz e dados.

Por sua vez, a Digital Colony conta com mais de US $ 20 bilhões em ativos sob gerenciamento e afirma ser a maior empresa de investimentos em Infraestrutura Digital do mundo, investindo nos quatro segmentos principais de Infraestrutura Digital - data centers, torres de macro células, redes de fibra e redes de pequenas células

Segundo o site Teletime, o plano não é se tornar uma operadora voltada ao consumidor e sim atuar como uma operadora de rede. Caso a compra da divisão mobile da Oi se conretize, ela será uma operadora de rede neutra em todos os níveis. Isso significa que os clientes da Oi Móvel, por exemplo, serão vendidos depois para as concorrentes em um leilão. A diferença é que um dos compromissos que a vencedora deste leilão terá de assumir é de utilizar a infraestrutura de torres, rádio e espectro da Oi Móvel - que, nesse novo cenário, passam a pertencer a Highline. O mesmo vale para a a InfraCo, unidade de redes de fibra da Oi, com 400 mil km de rede, que está em processo de negociação e no qual a Highline também deve fazer uma oferta. Para completar, seus planos também incluem uma participação no leilão do 5G, que deve ocorrer no segundo semestre de 2021.

Confira abaixo o fato relevante emitido pela Oi:

(“Oi” ou “Companhia”), em cumprimento ao art. 157, §4º, da Lei nº 6.404/76 e ao disposto na Instrução CVM nº 358/02, vem informar aos seus acionistas e ao mercado em geral que, em complemento ao Fato Relevante divulgado em 18 de julho de 2020, em linha com a implementação do plano estratégico de transformação das suas operações e em conexão com o processo de market sounding já previamente comunicado ao mercado, celebrou, nesta data, Acordo de Exclusividade (“Acordo”) com a Highline do Brasil II Infraestrutura de Telecomunicações S.A. (“Highline”), que apresentou, por meio do assessor financeiro da Oi, Bank of America Merrill Lynch (“BofA”), a melhor oferta vinculante (“Oferta”), acima do preço mínimo estabelecido, para aquisição, em processo competitivo, nos termos do art. 60, 141, II e 142, II da Lei nº 11.101/05 (“LRF”), da operação de telefonia móvel das Sociedades Oi (“UPI Ativos Móveis”), na forma prevista no aditamento ao Plano de Recuperação Judicial protocolado junto à 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, em 15 de junho de 2020 (“Aditamento”).


Pelo Acordo, a Companhia concedeu à Highline exclusividade para, observados os termos e condições previstos no Acordo e mantidos os termos econômicos da proposta vinculante apresentada, negociar os documentos e anexos relativos à Oferta.

O Acordo visa (i) garantir segurança e celeridade às tratativas em curso entre as Partes; e (ii) permitir que, uma vez satisfatoriamente finalizadas as negociações dos documentos entre as Partes, a Oi tenha condições de pré qualificar a Highline, na condição de “stalking horse”, para participação no processo competitivo de alienação da UPI, garantindo assim o direito de cobrir (“right to top”) outras propostas recebidas no referido processo.

O Acordo de exclusividade tem vigência inicial até o dia 03 de agosto de 2020, podendo
ser prorrogado mediante acordo entre as Partes. A Oi reitera o compromisso com a execução de seu Plano Estratégico e o foco na sua transformação em maior provedora de infraestrutura de telecomunicações do país, a partir da massificação da fibra ótica e internet de alta velocidade, do provimento de soluções para empresas e da preparação para a evolução para o 5G, voltada para negócios de maior valor agregado e com tendência de crescimento e visão de futuro.

A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento
do assunto objeto deste Fato Relevante.

Fonte: Oi / Ansa Brasil / Money Times / Highline do Brasil / Digital Colony / Teletime  

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