YouTube removeu 70 mil vídeos e 9 mil canais relacionados à guerra na Ucrânia

YouTube removeu 70 mil vídeos e 9 mil canais relacionados à guerra na Ucrânia

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 23 de Maio de 2022 às 17h29
Igor Almenara/Canaltech

O YouTube disse ter retirado mais de 70 mil vídeos e banido 9 mil canais que violaram as diretrizes de conteúdo sobre a invasão da Ucrânia. Muitos desses criadores faziam apologia à guerra e alguns até se referiram ao ato como uma "missão de libertação" do país europeu.

O site de vídeos é bastante popular na Rússia e continua funcional por lá, diferentemente das redes sociais ocidentais, como Facebook e Twitter. No entanto, o YouTube lançou um conjunto de iniciativas para barrar conteúdo manipulado pró-Rússia ou que apoiem a incursão militar no país vizinho.

Canais russos foram banidos ou tiveram o acesso restringido em alguns países (Imagem: Alveni Lisboa/Canaltech)

Desde o início do conflito, no final de fevereiro, foram derrubados e desmonetizados canais de sites como o Russia Today (RT), Sputnik e outros considerados como mídia estatal russa. Páginas vinculadas a criadores de conteúdo apoiadoras do Kremlin também sofreram sanções e queda no alcance dos vídeos.

Governo russo teria usado a mídia para justificar atos

Segundo o diretor de produtos do YouTube, Neal Mohan, a política de combate a grandes eventos violentos impede a negação de atos de guerra, Holocausto e temas relacionados. "E, claro, o que está acontecendo na Ucrânia é um grande evento violento. E então usamos essa política para tomar medidas sem precedentes”, explicou em entrevista ao jornal The Guardian.

Conteúdos noticiosos sobre o conflito receberam mais de 40 milhões de visualizações somente na Ucrânia. Em razão disso, o site quer garantir que as pessoas, principalmente moradores do país devastado, tenham acesso a informações "precisas, de alta qualidade e confiáveis no YouTube".

Mohan não deu detalhes sobre quais conteúdos ou canais foram removidos, mas ressaltou que a maior parte deles apresentavam narrativas irreais sobre a invasão. “Não tenho os números específicos, mas você pode imaginar muito disso sendo as narrativas que vêm do governo russo, ou atores russos em nome do governo”, disse.

YouTube fechou o cerco aos russos

Hoje, o YouTube tem cerca de 90 milhões de usuários cadastrados na Rússia, mas não permite publicidade nem monetização de quem mora por lá. A decisão tomada pelo Google foi alvo de protestos por políticos da oposição, que viam no uso de anúncios uma forma de neutralizar a propaganda do Kremlin.

Além disso, usuários comuns que não teriam nada a ver com a guerra acabaram punidos por uma atitude tomada pelo presidente Vladimir Putin. Mesmo assim, a rede de vídeos garante que todas as medidas ajudaram a reduzir o alcance de vídeos nocivos.

Pelo que parece, a Rússia não tem planos de bloquear o maior site de compartilhamento de vídeos do mundo. Mesmo com todas as polêmicas, os cidadãos russos e do restante do mundo ainda podem obter informações sobre a guerra de fontes consideradas mais isentas pelo YouTube.

Fonte: The Guardian  

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