WhatsApp desiste de bloquear outros chatbots de IA no Brasil
Por Bruno De Blasi | •

A nova política do WhatsApp que restringe a incorporação de chatbots de inteligência artificial de outras empresas entrou em vigor nesta quinta-feira (15). O Brasil, no entanto, ficou de fora das novas regras depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação contra a Meta.
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Conforme apurou o Canaltech, ao mencionar sobre a restrição do uso de plataformas de IA de terceiros, os termos do WhatsApp apontam uma exceção a números do Brasil e da Itália, iniciados pelos códigos "55" e "39", respectivamente:
"No entanto, essas tecnologias podem ser disponibilizadas aos usuários do WhatsApp que tenham números de telefone registrados com código de país italiano ou brasileiro", diz o documento.
O documento, ainda de acordo com o site do mensageiro, foi atualizado pela última vez em 15 de janeiro de 2026. A hora exata do ajuste, porém, não foi revelada.
A Meta, segundo o portal TechCrunch nesta quinta, também emitiu um comunicado para informar que “a exigência de cessar a resposta a consultas de usuários e implementar o texto de resposta pré-aprovado” antes de 15 de janeiro não se aplica a números do Brasil.
Procurada pelo CT, a Meta não comentou sobre o assunto.
Investigação do Cade
A movimentação ocorre poucos dias após o início de um inquérito administrativo contra a Meta na última terça-feira (12). O processo tem como objetivo analisar se os novos termos de serviço do WhatsApp Business podem excluir concorrentes e favorecer a ferramenta da própria empresa.
Segundo o Cade, a atualização das regras da API pode acabar com as plataformas de IA generativa de terceiros no mensageiro. No lugar, restaria apenas o Meta AI como opção, que opera de maneira integrada e nativa ao WhatsApp e Instagram.
Em nota ao CT enviada no começo da semana, a Meta afirmou que as “alegações são fundamentalmente equivocadas”, e que as plataformas de inteligência artificial sobrecarregam os sistemas da empresa.
“Essa lógica parte do pressuposto de que o WhatsApp seria, de alguma forma, uma loja de aplicativos. O canal adequado para a entrada dessas empresas de IA no mercado são as próprias lojas de aplicativos, seus websites e parcerias na indústria, e não a Plataforma do WhatsApp Business”, diz a nota.
Novas regras do WhatsApp
A alteração informada pelo TechCrunch gira em torno da nova política de uso de API, a interface usada para programadores para conectar sistemas, do WhatsApp Business. Anunciada em outubro, a atualização dos termos entrou em vigor em 15 de janeiro de 2026, e também atinge contas de uso pessoal do serviço.
No documento, a Meta destaca que desenvolvedores de plataformas de chatbots de IA estão “estritamente proibidos” de acessar ou usar o WhatsApp Business para “fornecer, entregar, oferecer, vender ou disponibilizar tais tecnologias quando estas forem a funcionalidade principal”.
Ainda de acordo com as regras, as plataformas de inteligência artificial não podem usar dados do WhatsApp Business para criar, treinar ou otimizar modelos.
Os desenvolvedores têm até 90 dias para se adequar às novas regras – ou seja, até abril.
Com a decisão, algumas empresas cancelaram as versões de seus chatbots para o mensageiro. É o caso da OpenAI, que anunciou no fim de 2025 que iria cancelar o ChatGPT para WhatsApp “devido a uma mudança de política e termos do WhatsApp”.
A Microsoft também revelou, na época, que seu chatbot seria retirado da plataforma em janeiro de 2026.
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