WhatsApp confirma envio de mensagens massivas durante eleições no Brasil

Por Rafael Rodrigues da Silva | 08 de Outubro de 2019 às 17h07
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Pela primeira vez desde que o assunto começou a ser investigado, o WhatsApp confirmou oficialmente que envios maciços de mensagens foram foram feitos pelo aplicativo durante as eleições de 2018. Esses envios ocorreram utilizando sistemas automatizados contratados por empresas privadas, que disparavam em milhares de grupos ao mesmo tempo mensagens que falavam bem de um candidato e mal de outro (muitas vezes inventando dados e declarações falsas) com o intuito de manipular os resultados das eleições de 2018.

Essa informação foi confirmada por Ben Supple, gerente de políticas públicas e eleições globais do WhatsApp, em palestra no Festival Gabo, que acontece em Cartagena das Índias, na Colômbia. O executivo também aproveitou o evento para condenar os grupos que distribuem conteúdo político pelo aplicativo, afirmando que a empresa enxerga esses grupos como tabloides sensacionalistas que apenas servem para divulgar conteúdo problemático e polêmico.

Indagado se o uso do WhatsApp para campanhas políticas era algo que violava as regras do aplicativo, ele afirmou que não, desde que essa campanha seja feita totalmente de forma orgânica, sem o uso de sistemas automatizados e envios massivos — já que é o uso de bots que viola as regras de uso do aplicativo. Mesmo assim, Supple afirmou que o WhatsApp foi criado para propiciar conversas orgânicas entre familiares e amigos, e que a recomendação da empresa, caso você seja convidado para esses grupos grandes de política (cheios de gente que você não conhece), é imediatamente sair dali e denunciar o grupo por spam.

Mesmo assim, o executivo reconhece o poder que o aplicativo tem em influenciar processos eleitorais, e que a empresa sabe que eleições podem ser vencidas ou perdidas pelo uso que se faz do WhatsApp — principalmente em países como o Brasil, onde a população usa muito o aplicativo para se atualizar sobre as últimas notícias e não tem o costume de verificar se a história que recebe é real ou não. E é pelo poder de influência do app que a empresa despachou equipes para acompanhar as eleições na Índia e na Indonésia, bem como para novos membros do Parlamento Europeu no primeiro semestre deste ano.

Aqui no Brasil, uma série de reportagens feitas pela Folha, desde outubro do ano passado, revelou a contratação pelas campanhas eleitorais de diversos candidatos de empresas de marketing que fazem disparos maciços de mensagens pelo WhatsApp. Esses envios eram feitos utilizando perfis falsos do WhatsApp, que eram criados utilizando de forma fraudulenta o CPF de idosos e até mesmo contratando agências estrangeiras.

Além do WhatsApp, o uso de ferramentas de automatização para disparo de mensagens em massa também é proibido pelo TSE, e usar essas ferramentas em campanha constitui infração eleitoral. Além disso, muitos desses serviços de mensagens automatizadas contratados não foram declarados à Justiça Eleitoral, o que configura crime de caixa dois. Entre os candidatos que participaram das últimas eleições, foi confirmado que tanto o atual presidente Jair Bolsonaro quanto o adversário dele no segundo turno das eleições, o petista Fernando Haddad, usaram táticas do tipo. Mas, até o momento, apenas Haddad foi punido pelo Tribunal Eleitoral.

Supple ainda afirmou, durante a palestra, que o WhatsApp tem tomado medidas para diminuir os envios maciços de mensagens e bloquear os usuários que utilizam essa prática. Ele ainda relatou que desde janeiro deste ano, quando o número de reencaminhamentos de uma mensagem foi limitado a cinco vezes, houve uma queda de 25% no compartilhamento do mesmo link entre diversos grupos no aplicativo.

Fonte: Folha

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