Telegram está em quase metade dos celulares brasileiros, mostra pesquisa

Telegram está em quase metade dos celulares brasileiros, mostra pesquisa

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 05 de Março de 2021 às 12h00

No Brasil, a recepção negativa às novas políticas de privacidade do WhatsApp gerou frutos numerosos para a concorrência, principalmente para o Telegram. O mensageiro que se mostrou uma alternativa viável ao app do Facebook está presente em 45% dos celulares brasileiros, enquanto o WhatsApp tem queda de 9% de acessos diários.

Os dados são da pesquisa sobre mensageria no Brasil da Opinion Box e registram aumento na popularidade do Telegram, que ocupou 10% mais celulares no Brasil em apenas seis meses. Ao mesmo tempo, o WhatsApp e o Facebook Messenger seguem em queda de acessos diários — quadro mais grave no Messenger, marcado pela queda de 20 pontos percentuais no mesmo período, indo de 59% à 39%.

Porcentagem de popularidade dos principais mensageiros. (Imagem: Reprodução/Opinion Box)

Para um mensageiro, manter a maior parcela dos seus usuários acessando diariamente o aplicativo é quase um sinônimo de sucesso. As visitas constantes acenam que o app é uma ferramenta importante na comunicação diária e que não pode ser desinstalado. Apesar do período ter registrado uma queda pontual no WhatsApp, sua presença ainda é forte no país, onde a importância é elevada à “ferramenta de trabalho”.

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Ainda que os hábitos tenham mudado, o WhatsApp preserva sua liderança solitária: o aplicativo emplaca com 98% de presença nos smartphones brasileiros — queda de um único ponto percentual em um ano. O surgimento de outros competidores — como o Signal, com 12% — é resultado das notícias conturbadas em relação à privacidade dentro do mensageiro do Facebook, mesmo que maioria absoluta da base de usuários ainda enxergue importância no app.

A comunicação com marcas e lojas

Nos dados extraídos pela Opinion Box, fica clara a oportunidade aproveitada pelo Facebook ao anunciar um novo conjunto de ferramentas para contas comerciais no WhatsApp. Os diálogos entre usuários e marcas é majoritariamente feito pelo mensageiro, seguido de Instagram e Facebook Messenger.

A porcentagem revela um hábito comum, pelo menos do público brasileiro, de entrar em contato com lojas para tirar dúvidas, acionar o suporte técnico, receber promoções e fazer novas aquisições. Essa enorme margem nunca foi explorada, mas finalmente o Facebook parece ter vislumbrado uma oportunidade de lucro no modelo.

Preferência de aplicativo para comunicação com marcas. (Imagem: Reprodução/Opinion Box)

Em paralelo, outro sinal de sucesso para o mensageiro é a intenção de uso do WhatsApp Pay. Cerca de 54% dos usuários pretende utilizar o método de pagamento. O número revela que a ferramenta deve ser bem recebida no Brasil, mesmo que o WhatsApp não seja mais o único mensageiro instalado no celular.

Será que o WhatsApp continuará na dianteira?

Felizmente, a pesquisa da Opinion Box foi feita em um belíssimo momento. Atualmente, o WhatsApp está em clima de preparação para a aplicação da nova política de privacidade para a introdução das ferramentas para contas comerciais. A partir do dia 15 de maio, a usabilidade plena do aplicativo estará escondida atrás do contrato.

Se não aceito, o usuário não poderá acessar conversas, enviar mensagens ou fazer ligações pelo aplicativo. A funcionalidade do app será reduzida a alertas de notificações no celular e ao recebimento de mensagens — parte da estratégia de “vencer pelo cansaço” e convencer o indivíduo de concordar com os novos termos.

Depois desse período, a popularidade do WhatsApp deve passar por uma outra chacoalhada. Ainda é cedo para deduzir o impacto que a fatídica data terá sobre a presença do aplicativo no Brasil: ele pode permanecer como está, ser desinstalado em um número de aparelhos ou marcar o crescimento significativo de mensageiros secundários, como o Telegram ou o Signal. Até que a data chegue, resta aguardar pela segunda recepção da “novidade”.

Conte para o Canaltech: você acha que o WhatsApp continuará invicto depois de impor as novas políticas de privacidade?

Fonte: Mobile Time

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