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Telegram dá Premium em troca do seu telefone para enviar SMS

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 25 de Março de 2024 às 18h20

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Wichayada Su/Vecteezy
Wichayada Su/Vecteezy
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O Telegram começou a oferecer uma proposta para lá de peculiar: o seu número de telefone para enviar mensagens de texto (SMS) em troca da versão Premium do app sem custo. É o que propõe o novo programa Peer-to-Peer Login (P2PL) para garantir acesso “gratuito” aos benefícios exclusivos. Essa troca, no entanto, pode acarretar em mais custos à conta do celular e abrir portas para outras dores de cabeça.

O programa começou a ser notificado a uma pequena base de usuários nos últimos dias, conforme mostra o canal Telegram Info English. O desenvolvedor AssembleDebug, conhecido por vazar recursos de apps do Google, também apresentou detalhes sobre o programa em seu perfil do X (ex-Twitter) no fim de semana.

150 SMS por 1 mês de Premium

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O P2PL basicamente troca o seu número de telefone por um mês de assinatura do Premium. Ao aceitar o programa, você empresta a sua linha telefônica para que o Telegram envie até 150 mensagens por mês com códigos de autenticação para pessoas aleatórias e desconhecidas.

Após o envio das mensagens, o usuário ganha o brinde: um código de vale-presente para garantir um mês de Telegram Premium. Você até recebe um link para compartilhar a assinatura com os amigos, para que todos aproveitem todos os benefícios e as funcionalidades exclusivas.

Mas o programa não garante a gratuidade sugerida pela notificação “Premium for Free”. A começar que o envio de SMS pode acarretar custos adicionais, sendo que as taxas ficam ainda mais caras se o proprietário do celular autorizar o envio de mensagens para números internacionais. Algumas operadoras também proíbem envios massivos em linhas pessoais.

Essas cobranças ainda ficam sob a responsabilidade do proprietário da linha, segundo os termos de serviço do P2PL. “Para maior clareza, você reconhece e concorda que essas despesas serão cobertas somente por você e que o Telegram não fornecerá reembolso em nenhum momento antes, durante ou depois de sua participação no P2PL”, diz o documento.

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Risco à privacidade

Como se não bastasse a questão do custo, o serviço ainda traz riscos à privacidade. No contrato, o Telegram ressalta que o programa facilita o envio dos códigos de login “ao mesmo tempo que toma muito cuidado para proteger a privacidade de seus participantes”. Contudo, a empresa do mensageiro se contradiz logo em seguida:

“No entanto, o Telegram não pode impedir que o destinatário do OTP veja seu número de telefone ao receber seu SMS. Portanto, você reconhece e concorda que considerou todas e quaisquer possíveis repercussões que isso possa acarretar e que tomou as precauções necessárias para mitigá-las conforme achar adequado”, aponta os termos de serviço.

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O Telegram ainda se isenta das responsabilidades “por qualquer inconveniente, assédio ou dano resultante de ações indesejadas, não autorizadas ou ilegais realizadas por usuários que tomaram conhecimento do seu número de telefone através do P2PL”. Resumindo: deu algum problema? Se vira. É na tua conta!

“Você concorda em não enviar mensagens além dos códigos SMS automatizados gerados pelo seu aplicativo Telegram, mesmo que o destinatário responda a você”, observa o contrato. “Você reconhece que compartilhar ou divulgar qualquer informação pessoal sobre os destinatários, incluindo seu número de telefone, resultará não apenas no seu encerramento do programa P2PL, mas também poderá resultar em ação legal na medida permitida pela lei aplicável.”

Vale a pena?

Antes de mais nada, o programa está disponível apenas para uma base extremamente restrita e é restrito ao app para Android. O Telegram ainda observa que o P2PLP “pode não estar disponível para usuários em certas regiões de acordo com a demanda atual, fatores econômicos, restrições regulatórias relevantes e infraestrutura de telecomunicações local”. Até agora, também não há relatos de funcionamento da plataforma no Brasil.

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Por outro lado, os riscos são muito altos para obter uma assinatura que custa R$ 19,90 ao mês no Android, por exemplo. Mais especificamente devido aos riscos de ter o seu número de telefone espalhado por aí, entre pessoas desconhecidas, e até com a possibilidade de sofrer sanções da operadora se descumprir o contrato devido ao disparo em massa.

No fim das contas, o programa beneficia mais o Telegram, que reduz os gastos com o disparo de mensagens de texto para fazer login, do que o usuário em si. Especialmente ao considerar que a empresa abre mão de toda a responsabilidade sobre eventuais problemas e custos que podem surgir ao participar do programa.

“Você reconhece e concorda que o Telegram não será responsável por quaisquer custos, despesas, danos ou quaisquer outras consequências adversas ou imprevistas que você possa incorrer como consequência direta ou indireta de sua participação presente ou passada no Programa P2PL”, conclui a documentação.