O que vai acontecer quando o X abrir seu código-fonte? Especialistas comentam
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Jones Oliveira | •
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Elon Musk prometeu abrir o código-fonte do X e torná-lo 100% open source. A medida ainda não tem uma data definitiva para acontecer, mas pode mudar aspectos de segurança e a relação de anunciantes e desenvolvedores com a rede social.
De acordo com o bilionário, a abertura deve acontecer após uma revisão de segurança e o sistema contará com revisões de terceiros para garantir que tudo funcione com base open source.
O Canaltech conversou com especialistas para entender quais são os possíveis impactos da mudança:
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O que significa abrir o código?
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Vai revelar tudo sobre a rede?
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O que pode mudar para o usuário?
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Impactos na segurança e para desenvolvedores
O que significa abrir o código?
Abrir o código-fonte significa liberar toda a documentação sobre como aquela plataforma funciona. Qualquer pessoa pode acessar o repositório de dados para ver, analisar e até modificar o projeto.
Por enquanto, ainda não existem mais detalhes sobre como isso vai acontecer de fato, ainda que Musk tenha prometido tornar todo o código-fonte open source “sem exceções”.
O Cumbuca Dev é um coletivo voltado para aumentar a diversidade no mercado de tecnologia e com foco na comunidade open source. CTO e cofundadora do projeto, Camila Maia explica ao Canaltech que o X já tem algumas partes do algoritmo liberadas para acesso, mas a abertura não necessariamente significa que o software será totalmente público.
A grande novidade anunciada seria abrir o restante do código da plataforma. Ainda assim, um dos principais pontos de atenção será verificar se esse código corresponde, de fato, ao que está rodando em produção e como esse repositório será mantido ao longo do tempo. Na prática, é muito difícil comprovar isso. Alguns sinais de que a abertura é genuína seriam um desenvolvimento realizado publicamente, histórico de commits aberto, releases frequentes sincronizadas com a produção e, idealmente, auditorias independentes. Essa distinção é importante porque ela determina o nível de transparência que a comunidade realmente terá sobre o funcionamento da plataforma.
Abrir o código-fonte vai revelar tudo sobre o X?
Provavelmente não. A abertura do código-fonte não necessariamente significa que o X vai liberar a documentação de todas as funções da rede social, incluindo mecanismos com anunciantes e outras ferramentas.
Novamente, é necessário aguardar a definição da empresa. Ela pode envolver apenas o algoritmo da rede (como já aconteceu parcialmente em outros anos), mas não representaria uma abertura completa.
Diretor dos Arquitetos de Solução da Red Hat, Boris Kuszka, explicou ao Canaltech quais componentes podem ficar de fora da abertura:
O algoritmo é só uma peça do sistema. Modelos de machine learning, dados de treinamento, infraestrutura de distribuição e, sobretudo, as políticas de moderação continuam, em geral, fora do código aberto. Sem esses elementos, a transparência é parcial: dá para ver "como" o sistema decide, mas não necessariamente "com base em quê".
O que pode mudar para o usuário?
A princípio, o código-fonte open source não tem impacto direto na rotina do usuário do X, mas é provável que a decisão resulte em melhorias nos “bastidores” da plataforma.
O professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Max Miller Silveira, compara a situação com o mercado de navegadores. Chrome, Edge, Opera e outros apps são construídos com base no projeto open source Chromium: usuários sentem mudanças nos navegadores em si, mas não são diretamente afetados pelas mudanças que impactam apenas o Chromium.
“Isso está mais relacionado ao funcionamento da plataforma do que ao dia a dia do usuário”, reforça Silveira.
Caso o código-fonte do algoritmo seja liberado, o acesso às informações pode ser considerado por marcas e criadores de conteúdo que buscam “explorar” nas regras para engajamento das redes sociais.
Boris Kuszka reforça que essa é uma prática que já existe hoje, mas poderia ser amplificada para fins negativos sem a governança ideal da plataforma:
A medida oferece a agentes mal-intencionados um mapa para tentar manipular o que é amplificado: spam coordenado, bots, campanhas de desinformação otimizadas para explorar exatamente os critérios que o algoritmo prioriza. Sem um modelo claro de manutenção contínua, revisão por terceiros e resposta a vulnerabilidades identificadas pela comunidade, a abertura do código pode virar um gesto simbólico em vez de uma prática efetiva de transparência.
Impactos na segurança e para desenvolvedores
O maior impacto deve ser sentido na parte de segurança, com envolvimento da comunidade open source. O código aberto permite que mais pessoas descubram vulnerabilidades e acelera o processo de correção.
“Normalmente você vai ter uma comunidade ativa que vai ficar atuando, inclusive na evolução, melhoria e correção do projeto. É muito comum que falhas de segurança em projetos de código aberto, quando divulgadas, sejam corrigidas numa média de 24 a 48 horas. Isso é diferente de projetos de código fechado, que às vezes levam semanas ou até mais tempo”, explica o professor do IFRN, Max Miller Silveira.
O ecossistema de desenvolvedores que trabalham com ferramentas vinculadas ao X também deve ser impactado com a decisão.
Boris Kuszka destaca que a maior parte das plataformas feitas em torno do X dependem de engenharia reversa ou ficam “no escuro” por tentativa e erro. A abertura do código permitiria desenvolver ferramentas mais previsíveis e, em alguns casos, a comunidade poderia contribuir com novas funções.
Porém, o profissional novamente reforça a necessidade de regras de governança para evitar ações que prejudiquem a comunidade.
“Publicar o código não é o mesmo que abrir o projeto. Um repositório disponibilizado sem uma licença permissiva, sem processo claro de contribuição e sem manutenção contínua é transparência de vitrine, não um projeto open source funcional”, conclui.