Hinge: como o app de relacionamento mudou experiências para abraçar a Gen Z
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Bruno De Blasi |

A Geração Z vive um contexto muito singular para relacionamentos: cenário pós-pandemia de COVID-19, “bolhas” causadas por redes sociais e ascensão da IA são alguns fatores, por exemplo. Para atender a esse público, o app de relacionamentos Hinge mudou experiências e procurou entender as dores das pessoas mais jovens.
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O Hinge pertence ao Match Group (mesmo grupo que controla o Tinder) e mudou o foco do app para atender aos Gen Z — nascidos entre o final da década de 1990 e o começo da década de 2010 — nos últimos quatro anos. Como resultado, 56% dos usuários ativos mensais do app pertencem a essa geração.
Oportunidade para a Gen Z
Em conversa com o Canaltech, a CEO do Hinge, Jackie Jantos, explica que o contexto de pandemia e distanciamento vivido pelas pessoas da Geração Z impediu algumas experiências com relacionamentos, o que pode causar um impacto nas expectativas de cada uma delas.
“Este é um grupo que viveu alguns dos seus principais anos, do final da adolescência ao início dos 20 anos, durante uma pandemia. Essa é uma fase da vida em que as pessoas exploram o contato pessoal e os relacionamentos, mas a Geração Z perdeu essa oportunidade. E isso teve um grande impacto na experiência e no desejo deles de interagir pessoalmente com outras pessoas, e na confiança que tinham em se relacionar pessoalmente”, explica.
Lacuna de comunicação
Um estudo do próprio aplicativo publicado em novembro de 2025 consultou mais de 30 mil usuários no mundo todo e revela que há uma “lacuna de comunicação”: usuários querem conversas mais profundas, mas nem sempre tomam a iniciativa ou estão confortáveis para abordarem esses temas.
Os dados publicados revelam que 36% dos usuários da Gen Z são mais hesitantes do que os millennials para tentarem conversas mais significativas no primeiro encontro.
Parte disso faz parte da diferença entre gerações, mas também reforça uma necessidade de adaptar a experiência a diferentes públicos. “O jeito em que meus pais se relacionavam é diferente do jeito que esse grupo se relaciona, então o produto precisa sempre evoluir”, comenta Jackie Jantos.
Novas experiências
A CEO reforça que a Geração Z se via insatisfeita com aplicativos de relacionamento porque as plataformas não atendiam às necessidades dos mais jovens. Portanto, desde 2021 o Hinge aumentou o foco para essa faixa etária e criou ferramentas que ajudam a “quebrar o gelo” e buscar conexões mais profundas.
“Se relacionar nunca foi fácil, mas parece realmente complexo e pesado para pessoas mais jovens”, alerta a CEO.
O app conta com os Prompts, uma série de perguntas ou provocações que instigam respostas mais longas de cada perfil, além de limitar o número de Matches ativos e incluir avisos na interface para quando a pessoa se sentir desconfortável dentro de um chat.
As conversas também podem acontecer via texto ou áudio — o relatório do Hinge aponta que a Gen Z está mais propensa a receber mensagens de voz do que outros grupos, por exemplo.
O retorno já é positivo: além do número de usuários ativos, Jackie Jantos conta que os jovens entenderam que o app traz uma proposta diferente e dedicam um esforço maior na hora de criar os perfis.
“Também aprendemos com a Gen Z, com os prompts e as expectativas deles na hora de cadastro, são surpreendentes e exigem muito esforço, então adoramos isso porque tem um propósito. As pessoas veem um resultado quando elas veem o que outras pessoas escreveram e engajam em conversas mais interessantes por isso”, acrescenta.
Por fim, a CEO reforça que as mudanças podem atender a qualquer geração, mas esse avanço no app só acontece ao estudar o mercado e ouvir a audiência.
“É importante ter um conjunto diverso de vozes na sala [de desenvolvimento do produto]. Você precisa expandir e trazer outras pessoas, então aprendemos muito dessa forma. Nossa organização é muito conectada a pesquisas culturais e de consumo. Conseguir ter empatia com a experiência de jovens que querem estar num relacionamento mas estão
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