Google quer usar Android para corrigir problema gigantesco dos carros
Por André Lourenti Magalhães |

O Google anunciou a criação de uma variante do sistema Android Automotive OS, usado nos sistemas multimídia de carros, para Veículos Definidos por Software (SDV, na sigla em inglês). O objetivo é ter um sistema aberto do Android que sirva como base e padronize o software dos carros, indo além das opções de “infotenimento”.
O que muda?
Os carros se tornaram “computadores sobre rodas”: existem softwares que atuam em diferentes componentes do veículo, como assistência de direção, alertas de manutenção e telemetria. Todos esses recursos precisam de um sistema específico, mas o problema é que isso não é padronizado.
O mesmo automóvel pode ter softwares fragmentados e uma arquitetura completamente diferente entre os componentes, o que dificulta para manter um ambiente linear e distribuir atualizações, por exemplo.
Além disso, a experiência pode variar drasticamente entre diferentes montadoras. O Android Automotive OS SDV (ou AAOS SDV) surge para trazer um padrão, com uma base de software escalável, compacta e fácil de ser atualizada.
Vantagens do novo Android para carros
O Google destaca que o AAOS SDV é uma versão muito leve, de código aberto e baseada no Android para atuar em frameworks específicos dos veículos, como comunicações e diagnósticos internos.
A empresa também menciona benefícios para os desenvolvedores: toda a arquitetura pode ser desenvolvida pela nuvem, há um novo catálogo com padrões de sinais, a arquitetura pode ser modular e o tempo entre o desenvolvimento e o lançamento no mercado pode ser reduzido.
Como muitas das funções acontecem nos “bastidores” do veículo, nem sempre as mudanças serão notadas pelos motoristas. A expectativa, no entanto, é de que o Android garanta uma experiência mais consistente e atualizada nos carros.
Quando chega?
O Google já tem duas parcerias confirmadas para o novo sistema: a montadora Renault e a fabricante de chips Qualcomm. A marca francesa vai usar o AAOS SDV no futuro Renault Traffic e-Tech, com produção prevista para o final deste ano, enquanto a Qualcomm prepara uma estrutura para escalar a tecnologia.