FaceApp rastreia navegação e compartilha dados do usuário com terceiros

Por Felipe Demartini | 17 de Julho de 2019 às 12h58

Todo mundo está se divertindo com as próprias fotos na infância, na velhice ou em versão franjuda ou sorridente. O FaceApp voltou ao topo das listas de downloads na App Store e na Play Store depois que celebridades e influenciadores começaram a divulgar as novidades do algoritmo de inteligência artificial que, a partir de selfies, é capaz de prever como ficaremos com os cabelos brancos e a face enrugada. O problema é o que está por trás disso.

Na medida em que a popularidade aumentava, teorias da conspiração surgiam nas redes sociais quanto ao uso dos dados faciais para sistemas de reconhecimento e vigilância ostensiva, enquanto outras pessoas questionavam as origens russas do FaceApp, cujos responsáveis, uma empresa chamada Wireless Lab, fica em São Petesburgo.

Nem tão ao norte, nem tão ao sul. De acordo com Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky, o aplicativo em si não tem nada de malicioso, com a foto do usuário sendo enviada aos servidores do app para modificação e mandada de volta ao celular dele com o resultado pronto. O problema, entretanto, está nos termos de uso, que cita coleta de dados e o compartilhamento dessas informações para fins de publicidade, tudo de maneira um bocado vaga.

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De acordo com a política de privacidade do FaceApp, não apenas as fotos produzidas são coletadas para fins de melhoria dos algoritmos de inteligência artificial, mas também informações sobre os próprios usuários. Fazem parte do conjunto compartilhado pelo software, por exemplo, a localização do utilizador e o celular usado para fazer isso, além de dados de navegação como histórico, plugins e cookies a partir dos browsers instalados.

FaceApp te mostra sorrindo, velho ou em versão feminina, mas também compartilha seus dados para fins de publicidade (Imagem: Reprodução/Durval Ramos)

Tais informações são compartilhadas com outras empresas do grupo do qual a Wireless Lab faz parte, além de parceiros de “serviços”, que as utilizam com confidencialidade. Além disso, a exibição de publicidade segmentada também resulta dessa coleta. A navegação acaba sendo rastreada, assim como os hábitos de uso, mas os termos do FaceApp afirmam que tal telemetria é enviada de forma anônima, sem que seja possível identificar usuários individuais a partir disso.

Muitos dos usuários do FaceApp com certeza nem sabem disso, não porque a informação é ocultada, mas simplesmente por não se importarem. De acordo com dados da Kaspersky, 64% dos brasileiros não leem os termos e condições de um app antes da utilização e nem mesmo pensam sobre como seus dados podem estar sendo utilizados pelos fornecedores daquela ideia divertida.

Além do temor de mau uso de dados de reconhecimento fácil, um segundo aspecto envolve a própria segurança das informações, uma vez que não sabemos o status da segurança do FaceApp nem dos tais parceiros com quem os dados são compartilhados. Essa incerteza resulta em possíveis perigos de vazamento e acesso indevido, levando ao risco de golpe ou tentativas de invasão.

A leitura das políticas de privacidade das aplicações baixadas, então, é o melhor caminho para se proteger nestes casos. Além disso, em relação ao reconhecimento facial em si, os especialistas da Kaspersky dão uma dica importante: não utilize essa categoria de biometria como se fosse uma senha. Mantenha sua utilização restrita ao celular ou aplicações mais importantes, de forma a evitar que seu rosto acabe caindo em mãos erradas.

Além disso, valem os cuidados de sempre com relação ao download de aplicativos, que só deve ser realizado a partir de lojas oficiais e reconhecidas. Ainda, preste atenção nas permissões solicitadas pelas soluções após a instalação, e negue o acesso a recursos que acredite serem suspeitos ou desnecessários para a utilização do software.

Fonte: Kaspersky, FaceApp

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