Chefe do Instagram define como ‘problemático’ o uso da rede social por 16 horas
Por João Melo • Editado por Bruno De Blasi |

Adam Mosseri, chefe do Instagram, afirmou que usar a rede social por 16 horas seguidas é apenas algo “problemático”. A fala do executivo aconteceu na última quarta-feira (11), durante um julgamento histórico que acusa plataformas da Meta e do Google de adotarem um design que causa vício e danos à saúde mental de jovens.
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O processo foca no caso de uma jovem de 19 anos identificada como KGM, que acusa Instagram, Facebook e YouTube de contribuírem diretamente para o desenvolvimento de quadros de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.
Conforme noticiado pela BBC, Mosseri foi o primeiro executivo de alto escalão a comparecer ao julgamento, que está sendo realizado no Tribunal Superior de Los Angeles, na Califórnia.
Durante o júri popular, Mark Lanier, advogado principal de KGM, perguntou ao representante da rede social qual era a sua opinião sobre o fato de sua cliente ter usado o Instagram por 16 horas seguidas em um único dia.
Sem citar a possibilidade de se tratar de vício, Mosseri se restringiu a dizer que esse comportamento configurava um “uso problemático” da plataforma. Antes, ele já havia afirmado que era necessário diferenciar dependência clínica de um uso prejudicial do aplicativo.
“Tenho certeza de que já disse que fiquei viciado em uma série da Netflix quando a maratonei até altas horas da noite, mas não acho que seja a mesma coisa que vício clínico”, pontuou o executivo.
Impactos negativos de filtros
Outro assunto colocado em pauta por Lanier foi uma troca de e-mails entre executivos da Meta em 2019. As mensagens em questão discutiam possíveis impactos negativos de filtros que permitiriam aos usuários alterar sua aparência física em fotos.
Nick Clegg, que na época atuava como chefe de assuntos globais da companhia, afirmou nas mensagens que o recurso poderia levar a empresa a ser acusada de falta de responsabilidade — o que teria um impacto “regressivo” na reputação da Meta.
Mosseri, por sua vez, afirmou no depoimento que a empresa decidiu limitar os filtros a efeitos de maquiagem. Ao ter a afirmação contestada pelo advogado, o executivo admitiu que a proibição de filtros de alteração de aparência havia sido “modificada”, embora a funcionalidade não tenha sido completamente revogada.
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