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25 anos do Napster, o app que mudou o jeito de ouvir música para sempre

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 03 de Junho de 2024 às 10h22

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Reprodução/Napster
Reprodução/Napster

O Napster nasceu em 1º de junho de 1999 e afetou drasticamente a indústria da música e, por "efeito dominó", todo o tipo de mídia audiovisual nos anos seguintes. Funcionando como um aplicativo peer-to-peer (P2P), que permite o compartilhamento de arquivos entre usuários, o software ganhou destaque ao facilitar o acesso a arquivos de música em MP3, mas passou a ser perseguido judicialmente especialmente após a batalha nos tribunais contra grandes artistas, como a banda de heavy metal Metallica — a primeira a processar os criadores do app.

Mesmo tendo durado apenas dois anos, o programa marcou uma geração ao facilitar a distribuição e download de faixas por MP3, ainda mais em uma época em que a internet discada era a realidade da maioria das pessoas. Nas linhas a seguir, você vai conferir mais sobre a trajetória do Napster e seu importante legado.

Napster era amigável

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Criado pela dupla de norte-americanos Shawn Fanning e Sean Parker, o Naptser tinha como objetivo tornar o compartilhamento de música o mais fácil possível. Em uma entrevista para a BBC em 2019, Fanning destacou as qualidades do software.

“[O Napster] foi algo que proporcionou uma maneira melhor, mais confiável e divertida para as pessoas compartilharem músicas e verem a coleção de músicas umas das outras”, apontou o criador. “Pela primeira vez, toda uma história da música gravada ficou disponível online para todos instantaneamente."

É verdade que já havia outros aplicativos similares na época, como o Usenet e o Hotline, mas o diferencial do serviço era sua interface amigável e o foco em arquivos MP3. Essa conveniência fez o app se tornar um marco entre milhões de usuários.

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Assim, quando estreou em 1º de junho de 1999 em computadores com Windows, não demorou muito para se tornar popular — no ano seguinte recebeu uma versão para Mac com o nome de Macster, que depois se tornou oficialmente Napster no computador da Apple.

Problemas na Justiça

O primeiro processo contra o Napster surgiu em 6 de dezembro de 1999 pela Associação Americana da Indústria de Gravação (RIAA), mas as coisas realmente começaram a desandar para a marca quando a banda Metallica descobriu que a versão demo da faixa “I Disappear” estava sendo compartilhada na rede antes mesmo de seu lançamento. Com um pouco de investigação por parte dos advogados do grupo, os membros souberam que quase todo o catálogo de discos já fazia parte frequentemente do aplicativo.

Como resultado, no dia 13 de abril de 2000, a banda abriu um processo contra o Napster, que foi seguido pelo rapper e produtor Dr. Dre. Nos meses seguintes, o app foi atacado pela indústria musical, em especial pelas gravadoras, que viam no programa uma afronta ao mercado. Uma corte dos Estados Unidos negou um recurso da empresa e emitiu uma liminar em 5 de março de 2001 ordenando que a plataforma interrompesse o compartilhamento de músicas protegidas por direitos autorais.

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O fim

A companhia realizou diversos acordos na Justiça com gravadoras e grupos, como o próprio Metallica, que envolveu o pagamento de US$ 26 milhões pelo uso não autorizado das músicas e como uma forma de adiantamento contra futuros royalties de licenciamento. Para arcar com esses gastos, o Napster tentou se tornar uma plataforma paga e recebeu o nome de “Napster 3.0” — contudo, esse movimento diminuiu consideravelmente o uso do software.

Mesmo tendo impedido a distribuição de 99,4% do material infrator identificado, o serviço não conseguiu agradar a Justiça dos Estados Unidos. Dessa forma, o aplicativo perdeu a batalha e acabou sendo encerrado em 11 de julho de 2001, pouco mais de dois anos após o seu lançamento.

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Por fim, a plataforma foi adquirida pela empresa alemã Bertelsmann por US$ 85 milhões e se transformou em um serviço de música online (muito antes do Spotify), mas isso também não deu frutos. Em 3 de junho de 2002, o Napster entrou com o pedido de de falência, e no dia 2 de setembro do mesmo ano sua venda foi bloqueada por um juiz que forçou a liquidação de todos os ativos da marca.

A plataforma podia ter morrido, mas ressurgiu quando a companhia Roxio adquiriu os nomes da marca em um leilão — a empresa decidiu renomear seu serviço Pressplay para Napster 2.0. Já em 2008, a rede de varejo Best Buy comprou os direitos sobre o nome e, nos anos seguintes, a marca passou para outras firmas, como a MelodyVR e a dupla Hivemind e Algorand. Estes são donos atuais e o Napster hoje em dia é um streaming de música similar a Spotify e Apple Music — há até um app para Android e iOS.

Napster deixou legado

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Apesar de tantas vendas e mudanças de rumo, o “estrago” causado pelo Napster estava feito: alguns aplicativos nos mesmos moldes do Napster surgiram ao longo dos anos, como o Kazaa e o LimeWire, que traziam uma interface convidativa e facilidade no compartilhamento de músicas e vídeos. O protocolo torrent veio quase em seguida e é utilizado por muitas pessoas até hoje para distribuir arquivos de diversos tipos pela internet no sistema P2P.

É inegável a marca que o Napster deixou na sociedade e nas sementes que plantou. Foi a partir dele que as pessoas realmente começaram a consumir música digitalmente e o compartilhamento ilegal contribuiu muito para o desenvolvimento de formas mais acessíveis, online e legais para distribuição e consumo de áudio e vídeo. Assim, serviços de streaming (e não só os de música) devem muito ao estilo oferecido pela criação de Shawn Fanning e Sean Parker.

Além do Napster, vale conhecer outros aplicativos antigos que ainda existem e funcionam.