Google quer obrigar fabricantes a atualizarem aparelhos Android regularmente

Por Rafael Rodrigues da Silva | 25 de Outubro de 2018 às 08h29
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Um dos principais problemas para os usuários de Android é a demora de algumas fabricantes para aplicar as atualizações de segurança criadas pela Google. Mas, de acordo alguns contratos confidenciais obtidos pelo The Verge, isso deverá mudar dentro dos próximos meses.

Os documentos afirmam que as empresas que utilizam o sistema operacional Android serão contratualmente obrigadas a manter seus smartphones e tablets com as últimas atualizações de segurança por pelo menos dois anos, além de terem de garantir que pelo menos quatro atualizações de segurança para os dispositivos deverão ser disponibilizadas no primeiro ano de lançamento deles. As empresas também são obrigados a fornecerem atualizações de segurança no segundo ano depois do lançamento do dispositivo, mas não há um número mínimo especificado para este período.

Os termos deste novo contrato serão válidos para qualquer dispositivo Android lançado após 31 de janeiro de 2019 e que tenham uma base de usuários maior que 100 mil pessoas. Ao entrar em vigor no dia 31 de julho deste ano, a obrigação sobre atualizações foi exigida de 75% dos fabricantes de dispositivos Android, mas, a partir de 31 de janeiro de 2019, todos os fabricantes que atendam aos requisitos deverão se adequar aos termos do novo contrato.

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Para evitar que alguma empresa tente correr de última hora e soltar 4 atualizações seguidas no fim do ano, as fabricantes também serão contratualmente obrigadas a corrigir todos os problemas que forem identificados pelos usuários num prazo de até 90 dias, o que obriga as fabricantes a estarem constantemente atualizando seus dispositivos. Além disso, novos lançamentos já deverão vir de fábrica com o mesmo nível de segurança da ultima atualização disponibilizada pela empresa. Caso essa exigência não seja atendida, a Google se reserva ao direito de não aprovar a disponibilização do Android para o aparelho, o que causará atrasos no lançamento e perda financeira para a fabricante.

Estes novos termos, que já haviam sido adiantados por David Kleidermacher (Chefe de Segurança do Android) durante uma palestra na Google I/O deste ano, foram encontrados nos novos contratos relativos à distribuição de dispositivos Android em países da União Europeia juntamente com as novas regras de uso da Play Store. Ainda que o The Verge não tenha conseguido confirmar se as normas são as mesmas em todos os países, os comentários públicos da Google sobre o assunto dão a entender que as novas regras são mesmo algo global e não apenas voltado para a Europa.

Há alguns meses, um porta-voz da Google já havia alertado que correções de bugs a cada 90 dias deveriam ser um requerimento mínimo de segurança para qualquer empresa, confirmando que mais de 200 dispositivos diferentes, fabricados por mais de 30 marcas distintas, já possuíam uma atualização disponibilizada nos últimos 90 dias.

Problemas de abandono

Um dos grandes problemas dos dispositivos Android desde as primeiras versões do sistema é a segurança fragmentada. Diversas vezes as fabricantes ignoram os aparelhos mais antigos em suas atualizações, deixando os consumidores lidando com falhas no sistema muito tempo depois de elas terem sido identificadas.

Nos últimos anos, a empresa tem se esforçado para fazer as fabricantes corrigirem mais rapidamente as falhas encontradas em seus aparelhos. As versões mais recentes do Android oferecem ferramentas que facilitam saber quando o aparelho foi atualizado pela última vez e qual é a versão mais recente disponível, enquanto o Android Oreo reestruturou todo o sistema para tornar mais fácil e rápido a criação de atualizações pelas fabricantes.

Mas, como essas empresas dependem da Google fornecer boa parte dos aplicativos mais importantes de seus aparelhos, a empresa tem poder suficiente para passar a exigir esse tipo de cuidado em contrato. E ainda que os usuários não tenham como saber se o aparelho que ele utiliza atingiu o número mínimo de ativações para entrar no programa de obrigatoriedade de atualizações da Google, é possível imaginar que qualquer aparelho vendido em grandes varejistas ou nos maiores sites de e-commerce, ou os aparelhos que possuem lançamento mundial, facilmente ultrapassem a marca de 100 mil ativações necessárias para entrar no programa.

Fonte: The Verge

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