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Vizinho gritou gol primeiro? Entenda como algumas TVs ficam "atrasadas"

Por  • Editado por Léo Müller | 

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Imagem gerada por IA/ChatGPT
Imagem gerada por IA/ChatGPT

Toda Copa, a mesma coisa: enquanto você ainda acompanha a jogada na área adversária, o vizinho ao lado já está berrando "gol!". Esse fenômeno desconfortável e que acaba com o elemento surpresa do futebol não é uma questão de sorte, mas sim de tecnologia. Algumas TVs ficam "atrasadas" por causa da latência, o atraso entre o momento em que o gol acontece no estádio e o segundo em que ele finalmente aparece na sua tela. 

O que é latência?

Marcelo Eduardo Pellenz, engenheiro eletricista e professor da PUCPR, define como latência "o intervalo de tempo entre o momento em que um evento realmente ocorre (por exemplo, no campo de futebol) e o momento em que o telespectador assiste a esse acontecimento na tela". 

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Para destrinchar essa matemática do atraso, o professor e influenciador Luís Felipe Mrad publicou um vídeo explicativo em suas redes sociais.

Ele demonstra de forma didática os cálculos por trás dos segundos que separam a TV aberta dos serviços de streaming modernos, revelando quem são os verdadeiros "vilões" do delay no futebol:

O caminho do sinal: TV aberta x satélite

Historicamente, a TV aberta terrestre é a campeã incontestável da velocidade, apresentando o menor atraso para o público geral.

Pellenz esclarece que isso ocorre porque o sinal é transmitido via ondas de rádio diretamente para as antenas dos telespectadores, passando por menos etapas de processamento.

No sinal digital tradicional, esse tempo de processamento costuma prender o atraso entre 6 e 8 segundos.

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Por outro lado, quando a transmissão ao vivo é feita via satélite, a distância física começa a pesar um pouco mais. O sinal precisa subir até os satélites geoestacionários, localizados a cerca de 36 mil quilômetros de altitude, e depois descer para os receptores dos usuários.

Mesmo com as ondas eletromagnéticas viajando na velocidade da luz (a cerca de 300.000 km/s), esse longo percurso de ida e volta adiciona cerca de 0,24 segundos apenas de deslocamento puro.

No entanto, o professor Luís Felipe Mrad destaca que, na TV por antena, a distância não causa tanto impacto real se comparada à internet: "a onda viaja muito rápido e ela viaja sem pedágio, vamos dizer assim, sem intercorrências", resume o influenciador, em entrevista ao Canaltech

Processamento e Buffer

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Mas se a distância física não é o principal problema, por que o streaming e o YouTube sofrem tanto para acompanhar o ritmo da TV digital? A resposta está na forma como os dados são fragmentados e processados.

Luís Felipe Mrad explica que o processamento do vídeo ao longo do caminho pesa muito mais do que o tempo de viagem do sinal. De acordo com o professor, "o grande vilão ali vai ser a segmentação dos dados e a parte do buffer".

Chunks

No streaming, o vídeo é fatiado em pequenos blocos conhecidos como chunks. Se o sistema adota blocos de 4 segundos, por exemplo, ele precisa necessariamente esperar esses 4 segundos de tempo real passarem para conseguir fechar e enviar o primeiro arquivo de dados.

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Para evitar que a transmissão fique travando caso a conexão do usuário oscile, as plataformas utilizam o buffer, armazenando segundos de vídeo em cache antes de exibir as imagens.

"Ele acumula ali 2 ou 3 chunks para exibir a imagem, então isso gera um buffer de 8 a 12 segundos", pontua Mrad.

Somando os atrasos de codificação, os múltiplos "pedágios" por roteadores e servidores, e a decodificação final do aplicativo, a latência do streaming se eleva consideravelmente.

De forma geral, o atraso das transmissões ao vivo está principalmente no processamento do conteúdo. Na TV aberta, há menos etapas intermediárias. No streaming, cada segundo precisa ser convertido, enviado, armazenado e reconstruído antes de aparecer na tela.

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E se nesta Copa do Mundo 2026 você ainda estiver em dúvida entre TV aberta, streaming e YouTube, veja onde os jogos da Copa terão menos atraso.