Publicidade

Usuários da Starlink viram alvo de espionagem israelense, diz Reuters

Por  |  • 

starlink logo
Reprodução/Mariia Berezovsky/Unsplash

Usuários da Starlink podem ter sido alvo de uma operação de rastreamento por meio de anúncios digitais de uma empresa israelense de tecnologia publicitária. A companhia teria direcionado propagandas a clientes do serviço de internet via satélite em mais de 100 países, levantando suspeitas sobre o uso desses anúncios para fins de espionagem.

Continua após a publicidade

As informações foram divulgadas em uma reportagem recente da agência Reuters. Segundo a publicação, a investigação se baseia tanto em análises de pesquisadores de segurança digital quanto em relatos de seis pessoas familiarizadas com o caso.

A empresa apontada é a Discover-Tech, que teria se destacado na compra de espaços publicitários direcionados a usuários da Starlink, serviço operado pela SpaceX.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Os indícios levantam preocupações sobre o uso de ferramentas comuns de publicidade para identificar e monitorar internautas. No entanto, a reportagem não comprova que o governo israelense tenha comandado a operação nem esclarece a extensão dos dados que teriam sido coletados.

Anúncios da empresa miraram usuários da Starlink em mais de 100 países

Segundo a Reuters, pesquisadores da TrendAI, divisão da empresa de cibersegurança Trend Micro, identificaram a Discover-Tech como uma das principais compradoras de anúncios direcionados a usuários da empresa de Elon Musk. A companhia teria sido a maior participante dos leilões publicitários voltados a esse público em mais de 100 países.

A suspeita é de que, durante os leilões para exibição de anúncios em sites e aplicativos, a empresa israelense tenha reunido dados sobre usuários da Starlink e cruzado essas informações com outras fontes para identificar pessoas e acompanhar suas atividades on-line.

O padrão chamou a atenção dos pesquisadores porque a concentração de anúncios direcionados a usuários da Starlink parecia pouco compatível com uma operação comercial convencional. Em relatório publicado em 15 de outubro, a TrendAI descreveu a atividade de uma entidade que chamou de Shadow-Earth-79, codinome utilizado pela empresa de segurança para se referir à Discover-Tech.

O relatório também apontou que a entidade estava entre as principais compradoras de anúncios na Síria, na Líbia, no Iêmen e no Sudão do Sul. A atividade publicitária nesses territórios foi considerada um indício de que a estrutura poderia ter outra finalidade além da divulgação comercial.

A suspeita ganhou força porque esses territórios são marcados por conflitos ou restrições de acesso à comunicação. Nesse contexto, a Starlink se tornou um recurso importante em regiões onde as redes convencionais de telecomunicações enfrentam limitações.

Continua após a publicidade

Investigações apontam possível rede de rastreamento digital

A Discover-Tech foi citada ainda em investigações do Citizen Lab, grupo canadense de pesquisa em segurança digital, e da Confiant, empresa americana especializada em tecnologia publicitária. As organizações também acusaram a companhia de explorar o sistema de leilões de anúncios para obter informações sobre internautas e potencialmente facilitar operações de vigilância.

Os dados publicitários em questão podem ser reunidos e associados a outras informações para identificar usuários, relacionar dados aparentemente anônimos a pessoas específicas e, em determinados casos, direcionar ferramentas de vigilância a alvos selecionados.

Continua após a publicidade

Após as investigações, empresas como Google e Comcast informaram ter removido a Discover-Tech de suas plataformas publicitárias.

A Starlink também vem sendo utilizada por tropas ucranianas na guerra contra a Rússia, mas limitações recentes impostas pela empresa atrapalharam missões de drones organizadas por Kiev.

Fonte