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Starlink limita acesso de soldados ucranianos e atrapalha missões de guerra

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Starlink
Erick Teixeira/Canaltech

Novas limitações na conexão da Starlink pegaram tropas ucranianas de surpresa, e afetaram missões na linha de frente da guerra contra a Rússia. Terminais usados pelas forças de Kiev passaram a perder sinal em altas velocidades, o que forçou o cancelamento de operações com drones e trouxe dificuldades para outros ataques.

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O 7º Corpo de Resposta Rápida das forças de assalto aéreo da Ucrânia confirmou que as restrições também atingiram o Starshield, pacote da SpaceX voltado a aplicações militares, de defesa e inteligência governamental. Até então, esse serviço não tinha o mesmo limite de velocidade para transmissão de dados.

Segundo relatos de pilotos, a conexão começou a falhar acima de 160 km/h. Em alguns casos, porém, o sinal desapareceu por períodos de 10 a 20 segundos mesmo em velocidades entre 110 e 120 km/h, o que complicou o controle das aeronaves durante as missões.

Restrição da Starlink afeta drones ucranianos

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O impacto apareceu primeiro nas operações com drones. Algumas equipes tiveram dificuldade até para colocar os equipamentos no ar, enquanto outras precisaram cancelar missões diante da instabilidade da conexão.

Reduzir a velocidade também não resolve completamente o problema. Drones mais lentos ficam mais vulneráveis às defesas aéreas russas, o que limita a capacidade ucraniana de executar ataques a alvos protegidos.

As restrições ainda atingiram a logística do front e os chamados ataques de médio alcance, usados pela Ucrânia contra linhas de suprimento e estruturas logísticas russas. Serhii Beskrestnov, conselheiro do Ministério da Defesa ucraniano, afirmou que operações de drones de longo alcance também sofreram prejuízo.

Outro ponto de preocupação está na defesa contra drones russos movidos a jato. A Ucrânia usa terminais Starlink em interceptores desenvolvidos para combater essas aeronaves, e a instabilidade pode reduzir a eficiência desse sistema.

Segundo uma autoridade de alto escalão familiarizada com a situação na linha de frente, ouvida sob anonimato pelo Financial Times, a restrição foi aplicada sem aviso prévio, no meio da madrugada.

Já Beskrestnov afirmou no Telegram que a medida "não é coincidência e está relacionada à situação política atual".

Restrição aumenta tensão entre Kiev e Washington

O momento da mudança ampliou a desconfiança do governo ucraniano em relação ao apoio dos Estados Unidos. A alteração no serviço coincide com uma pressão maior do presidente Donald Trump para que Kiev faça concessões a Moscou em busca de um acordo para encerrar a guerra.

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Nos últimos dias, Trump também pressionou a Ucrânia para interromper ataques contra refinarias russas. O presidente norte-americano chegou a ameaçar um corte no compartilhamento de inteligência e atribuiu à ofensiva ucraniana parte da pressão sobre os preços globais do diesel.

 Analistas, por outro lado, apontam a guerra entre Estados Unidos e Irã como principal responsável pela alta do combustível no mercado internacional.

Em vídeo divulgado pela Casa Branca, Trump afirmou que pediu a Volodymyr Zelenskyy para não atacar refinarias russas. Apesar disso, nesta quarta-feira, o presidente dos EUA negou que o país tenha suspendido o envio de informações de inteligência à Ucrânia e disse que Washington continua a compartilhar esses dados.

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A postura de Elon Musk também aumentou as suspeitas em Kiev. Pouco antes das restrições, o CEO da SpaceX publicou no X que "Zelensky foi longe demais". Autoridades ucranianas suspeitam que a empresa tenha limitado o serviço após um pedido do governo Trump, mas não há confirmação oficial sobre essa relação.

Casa Branca, SpaceX e Elon Musk não responderam aos pedidos de comentário sobre o caso.

Ucrânia tenta reverter restrições

Um assessor presidencial ucraniano afirmou que militares tentam resolver o problema por meio do centro de coordenação em Wiesbaden, na Alemanha, que atua como um dos principais pontos de ligação entre as forças ucranianas e seus parceiros ocidentais.

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A situação também provocou reação da Polônia. O ministro das Relações Exteriores, Radosław Sikorski, questionou Musk publicamente no X e acusou o empresário de usar seus produtos como instrumento político.

A preocupação de Kiev aumentou ainda mais porque, pelo segundo dia consecutivo, a Ucrânia afirma não ter recebido alertas prévios de parceiros ocidentais sobre ataques russos contra sua infraestrutura energética.

Ataque russo deixa 600 mil sem energia

Zelenskyy afirmou nesta quarta-feira que os sistemas ucranianos só detectaram mísseis balísticos quando eles já estavam próximos de Kiev. O presidente cobrou uma resposta dos aliados e reforçou que o país não recebeu aviso antecipado sobre a ofensiva.

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Durante a noite e a manhã, a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e mais de 120 drones de ataque, com foco principal em Kiev e Kharkiv. A Força Aérea da Ucrânia informou que apenas quatro mísseis foram interceptados.

Os ataques causaram danos em 26 instalações do sistema elétrico e em quatro estruturas do setor de petróleo e gás. Entre os locais atingidos está uma das principais usinas de geração de calor e eletricidade de Kiev.

Pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade na manhã de quarta-feira. Autoridades da capital também confirmaram ao menos duas mortes e mais de 20 feridos.

Zelenskyy disse que a ofensiva atingiu justamente a infraestrutura que deveria estar protegida pelo cessar-fogo energético anunciado pelos Estados Unidos. Ele classificou o ataque como deliberado e cobrou sanções mais duras contra Moscou.

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