"Starlink russa" tem primeiros satélites lançados; veja como vai funcionar
Por Vinícius Moschen • Editado por Léo Müller | •

A empresa aeroespacial Bureau 1440, apontada como rival russa da Starlink, lançou na noite de segunda-feira (23) o primeiro lote de satélites de produção da constelação Rassvet (“Primeira Luz”), em órbita terrestre baixa (LEO). Ao todo, 16 espaçonaves foram colocadas em operação.
- Internet via satélite: como funciona a internet vinda do espaço?
- Por que a internet conecta continentes com cabos submarinos?
Os satélites são construídos sobre uma plataforma proprietária desenvolvida pela empresa, e integram tecnologias de comunicação baseadas em 5G NTN e um sistema de alimentação de energia atualizado. Na prática, o objetivo é promover soluções de internet via satélite com ampla cobertura a nível global.
A operação foi considerada um sucesso: após atingirem a órbita alvo, os satélites realizaram a separação dos foguetes, e foram transferidos para o Centro de Controle de Voo da empresa.
Na sequência, os dispositivos passarão por fases de testes e ativação de sistemas, para depois transitarem para suas respectivas órbitas operacionais.
Projeto de “Starlink russa” tem mil dias
A companhia atingiu o atual estágio de desenvolvimento em um período de mil dias, contados entre o lançamento de satélites experimentais e os modelos de produção. O cronograma original previa a operação para o final de 2025, mas o prazo sofreu atrasos.
A primeira sessão de testes com três satélites desenvolvidos pela Bureau 1440 foi feita em julho de 2023, com taxas de transferência de dados de 10 Mbps, e latência de 41 ms.
O propósito do projeto é dar acesso à internet de banda larga em escala global, com foco inicial no território da Rússia. O serviço visa fornecer conectividade especialmente para meios de transporte, como trens e aviões, além de atender usuários em qualquer localidade do planeta.
A meta inicial de escalabilidade chega a 350 satélites, com mais 250 até o ano de 2027, para início da operação comercial. Até 2035, a expectativa é que a constelação exceda o número de 900 satélites em órbita.
Para efeito de comparação, a rede Starlink já implantou mais de 7.000 unidades desde o ano de 2019.
O projeto está inserido na iniciativa nacional russa denominada "Economia de Dados", com um investimento federal de 102,8 bilhões de rublos (ou R$ 6,65 bilhões em conversão direta) para a execução do programa.
A Bureau 1440 ainda planeja o investimento de 329 bilhões de rublos (~R$ 21,27 bilhões) adicionais de fundos próprios até 2030.