"Starlink a laser": europeus testam comunicação via satélite sem ondas de rádio
Por Renato Moura Jr. • Editado por Léo Müller | •

A Europa está avançando em uma tecnologia que pode mudar a forma como satélites trocam informações com a Terra. Em vez de usar ondas de rádio tradicionais, pesquisadores e empresas europeias começaram a testar links ópticos baseados em laser infravermelho, criando uma espécie de “Starlink a laser” focada em maior velocidade e segurança.
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O projeto envolve a instalação da Holomondas Optical Ground Station, uma estação terrestre construída no norte da Grécia e desenvolvida dentro do programa PeakSat, apoiado pela Agência Espacial Europeia (ESA). A estrutura vai receber dados enviados por satélites usando feixes de laser em vez dos sistemas de rádio tradicionais.
Como funciona?
Os testes utilizam dois CubeSats gregos, PeakSat e ERMIS-3, lançados em março. Ambos carregam o terminal óptico ATLAS-1, desenvolvido pela empresa lituana Astrolight, permitindo criar um sistema completo de comunicação via laser entre espaço e solo.
A principal vantagem está na capacidade de transmissão. Segundo os desenvolvedores, a estação usa um receptor óptico capaz de atingir até 2,5 Gbps, superando boa parte das soluções convencionais baseadas em radiofrequência. Além disso, o feixe infravermelho é extremamente direcionado, tornando a interceptação e o bloqueio muito mais difíceis.
Na prática, a tecnologia lembra o que já acontece na rede da Starlink. Os satélites mais recentes da constelação da SpaceX utilizam enlaces ópticos para conversar entre si no espaço, reduzindo a dependência de estações terrestres e aumentando a eficiência da rede.
A diferença é que o projeto europeu quer ampliar o conceito para conexões diretas entre satélites e solo.
A sucessora natural da radiofrequência
Os pesquisadores acreditam que a mudança é necessária porque o espectro de rádio está ficando cada vez mais congestionado com o crescimento das constelações de satélites e da demanda por internet global. O uso de laser abre espaço para transmissões mais rápidas, maior largura de banda e menor vulnerabilidade a interferências.
A ESA já vem ampliando investimentos nesse setor. Recentemente, a agência demonstrou uma conexão óptica de 2,6 Gbps entre uma aeronave e um satélite geoestacionário, mostrando que a tecnologia pode futuramente levar internet de alta velocidade para aviões, navios e regiões remotas.
Apesar do potencial, ainda existem desafios importantes. Diferente das ondas de rádio, os lasers exigem alinhamento extremamente preciso e podem sofrer influência de nuvens, chuva intensa e turbulência atmosférica. Mesmo assim, empresas e agências espaciais veem a tecnologia como um dos pilares das futuras redes orbitais.
Se os testes avançarem, a próxima geração de internet via satélite pode depender de feixes invisíveis de luz viajando entre o espaço e a Terra.
Fonte: The Register