Reino Unido libera Huawei para construir parte da rede 5G do país

Por Se Hyeon Oh | 24 de Abril de 2019 às 10h11
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A primeira-ministra britânica, Theresa May, permitiu que a Huawei, gigante das telecomunicações chinesas que é acusada de espionagem e de roubo de dados, ajude a construir partes menos importantes da infraestrutura 5G do Reino Unido, tais como as antenas.

A decisão foi tomada pelo Conselho de Segurança Nacional, onde May é presidente, e recebeu diversas críticas de outros políticos do Reino Unido que temem pela exposição das empresas, agências governamentais e dos cidadãos ao roubo de informações sensíveis.

O Telegraph informa que o chefe do serviço de inteligência britânica GHCQ, Jeremy Fleming, fez um discurso sobre as ameaças virtuais aos membros das agências de inteligência da Austrália, Canadá, Nova Zelândia e dos EUA. Foi informado que os outros membros do GHCQ expressaram preocupação com o uso de provedores de telecomunicações chineses, mas, pelo visto, a organização britânica acredita que o perigo pode ser controlado (ou ao menos minimizado) ao permitir o envolvimento da Huawei apenas para a parte "não central" do projeto.

Essa decisão é um tanto quanto surpreendente, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, vem pressionando seus aliados a pararem de usar os equipamentos da chinesa. Tanto a Austrália quanto a Nova Zelândia, que participaram da reunião, por exemplo, fazem parte dos países que atenderam aos avisos de Trump e proibiram os produtos da Huawei em seus territórios.

Obviamente, a gigante das telecomunicações nega as acusações de espionagem para o governo da China. No entanto, esse discurso não surte muito efeito pois, para os americanos, existem evidências de que a China, ao lado da Rússia e do Irã, estão atacando as infraestruturas militares e corporações estrangeiras para roubar segredos comerciais e espionar as decisões de outros países.

O senador Marco Rubio afirmou ao The Verge que a Huawei é uma empresa de telecomunicações controlada pelo governo chinês, que visa minar a concorrência roubando segredos comerciais e propriedade intelectual por meios ilícitos. Além disso, ele ainda diz que "o governo comunista da China representa a maior ameaça a longo prazo para a segurança nacional e econômica”.

Da mesma forma, o senador Mark Warner diz que existem evidências que corroboram para o fato de que nenhuma grande empresa chinesa é independente do governo chinês e do partido comunista, e a Huawei, considerada uma “campeão nacional”, não seria exceção. Portanto, ele conclui que permitir o envolvimento dessa empresa para o desenvolvimento da infraestrutura 5G "poderia comprometer seriamente a segurança nacional".

Por outro lado, especialistas em segurança, justiça e política entrevistados pelo The Verge criticaram menos a Huawei e expressaram as suas preocupações com a falta de evidências. Mas alguns, como o professor da Universidade de Syracuse, William Synder, e o CEO da OpenVPN, Francis Dinha, disseram que é válido considerar a Huawei como uma ameaça, já que existe o risco das futuras redes 5G serem construídas com vulnerabilidades.

Fonte: The Verge

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