Reino Unido deve proibir equipamentos 5G da Huawei. Mas não estipulou prazos

Por Rui Maciel | 13 de Julho de 2020 às 11h30
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A situação da Huawei em alguns países da Europa não é das melhores. E um deles é o Reino Unido. Isso porque o primeiro-ministro Boris Johnson deve banir os equipamentos de infraestrutura 5G da fabricante chinesa da região. Tal decisão deve gerar um belo mal estar nas relações Reino Unido-Pequim, ao mesmo tempo que fará sorrir o governo do presidente Donald Trump, já que os EUA vem enfrentando uma disputa comercial / tecnológica com a China de grandes proporções. E as redes móveis de quinta geração são um dos principais palcos.

Segundo a agência de notícias Reuters, o Conselho de Segurança Nacional da Grã-Bretanha (NSC), presidido por Johnson, se reunirá nesta terça-feira (14) para discutir a presença da Huawei no 5G britânico. A decisão do governo local será anunciada no final do mesmo dia, pelo secretário de mídia, Oliver Dowden.

Caso o banimeto da Huawei seja confirmado, a desculpa imediata para a decisão - que sofreu uma reviravolta nos últimos meses - é o impacto das novas sanções dos EUA sobre a tecnologia de chips. Segundo o governo britânico, tais medidas restritivas afetariam a capacidade da Huawei de permanecer como um fornecedor confiável no futuro.

Torre 5G da Huawei: participação limitada no Reino Unido

No entanto, ainda não está claro até onde será o grau de banimento do governo do Reino Unido junto a Huawei. O fato é que as operadoras locais já tinham que limitar o papel da empresa no 5G em 35% até 2023. Agora, está sendo discutido a redução da participação da companhia a zero em um prazo que pode variar de dois a quatro anos. No entanto, algumas empresas de telecomunicações já avisaram que ir rápido demais nesse processo restritivo pode atrasar a uma adoção massiva do 5G e interromper os serviços.

Pressão

No final de janeiro, o governo do Reino Unido já havia restringido o uso dos equipamentos 5G da Huawei na região. De acordo com comunicado assinado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, a empresa chinesa foi considerada como um “fornecedor de alto risco” após análises dos parlamentares e, sendo assim, poderá trabalhar de forma limitada na instalação da infraestrutura, ficando de fora do que os legisladores chamaram de “centro” da tecnologia.

Na prática, a empresa não poderá ter uma participação maior do que 35% na infraestrutura 5G do Reino Unido. Ela também ficará de fora das instalações em locais considerados como riscos de segurança, onde estão localizados prédios do governo, por exemplo, ou instalações militares e usinas nucleares.

Apesar das restrições, a Huawei comemorou a decisão do governo do Reino Unido, afirmando que ela é um endosso de seu trabalho com redes 5G ao redor do mundo. Em comunicado, a empresa disse trabalhar com operadoras de telefonia do país há mais de 15 anos e que pretende continuar com essa relação de confiança, instalando infraestrutura de alta tecnologia, seguras e eficientes para levar a região ao futuro. No entanto, essa relação com os britânicos pode mudar consideravelmente, caso a decisão de bani-la permanentemente seja confirmada.

Além da pressão exercida pelos EUA para limitar o papel da Huawei, o governo britânico também teria visto com maus olhos usado a repressão do governo chinês nos protestos em Hong Kong.

Fonte: Reuters  

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