Redes 5G podem reduzir exatidão da previsão do tempo em até 30%

Por Thaís Augusto | 23 de Maio de 2019 às 18h08

A construção de redes 5G pode reduzir a exatidão da previsão do tempo em até 30%. O alerta foi realizado nesta quinta-feira (23) pelo chefe da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), Neil Jacobs.

Pode parecer pouca coisa, mas, de acordo com Jacobs, isso significa que moradores de áreas costeiras dos Estados Unidos receberiam avisos de furacão com pouca antecedência. Ele estipula que o tempo seria reduzido em até três dias.

Jacobs ainda ressalta que as previsões poderiam errar o local onde grandes tempestades e outros fenômenos aconteceriam, colocando em risco à vida de muitas pessoas. Não é a primeira vez que órgãos alertam sobre a interferência do 5G na previsão do tempo. Nos últimos meses, até a NASA reforçou o discurso.

Redes 5G podem reduzir exatidão da previsão do tempo em 30% nos Estados Unidos

O alerta começou a ser disparado em março, quando a Comissão Federal de Comunicações (FCC) começou a leiloar o espectro de 24 GHz em março para operadoras de telefonia móvel que planejam usá-lo para as novas redes 5G. No início desta semana, os democratas Ron Wyden, do Oregon, e Maria Cantwell, de Washington, entraram na discussão e enviaram uma carta para a FCC pedindo que a agência se abstenha de emitir as licenças para leilão até que uma solução possa ser encontrada.

O problema vem do uso de espectro na banda de frequência de 24 gigahertz, que é muito próxima de uma banda de espectro que a NOAA usa para coletar dados para a previsão meteorológica. A NOAA usa o espectro de 23,8 GHz para conseguir informações sobre as condições atmosféricas que são então inseridas em seu modelo de dados. A preocupação é que os portadores de redes 5G ​​na banda de 24 GHz possam interferir em sensores sensíveis de satélites que monitoram as condições atmosféricas.

Jacobs aponta que a atual proposta da FCC resultaria em uma perda de 77% nos dados dos sensores de satélite da NOAA. Ele disse que especialistas da FCC e da NOAA estão colaborando para encontrar uma solução e acrescentou estar otimista de que uma resposta satisfatória seria encontrada.

Existem outras bandas de frequência que a FCC quer leiloar e que podem ser problemáticas para a previsão do tempo. Uma delas pode dificultar a detecção de condições climáticas, como neve e gelo, pela NOAA.

Em novembro do ano passado, cientistas demonstraram preocupação sobre o risco das ondas eletromagnéticos emitidas pelo 5G para a saúde humana. Em um documento assinado por 180 pesquisadores de 35 países, entre eles o Brasil, os cientistas apontavam que ainda não se sabe os efeitos da exposição ao longo prazo.

"Efeitos podem incluir o aumento do risco de câncer, estresse celular, aumento de radicais livres prejudiciais, danos genéticos, mudanças estruturais e funcionais do sistema reprodutor, déficit de aprendizado e memória, desordens neurológicas, e impactos negativos no bem-estar geral dos humanos", dizia o documento assinado pelo professor Lennart Hardell, do departamento de oncologia da Faculdade de Medicina e Saúde de Örebro na Suécia.

As preocupações não estão impedindo o 5G de avançar. Na semana passada, a Samsung lançou o primeiro smartphone com a tecnologia nos Estados Unidos. O Galaxy S10 5G está sendo vendido pela operadora Verizon.

Por enquanto, os consumidores dos Estados Unidos só poderão usar o 5G em algumas esquinas de Chicago e Mineápolis, mas a Verizon garantiu que em breve o 5G funcionará em outras 20 cidades e até o fim do ano — em um total de 30. Confira a performance do 5G neste teste de velocidade.

Fonte: CNET

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