O número de celular vai morrer? Entenda porque ainda precisamos dele em 2026
Por Vinícius Moschen • Editado por Léo Müller |

Dados consolidados apontam que o uso efetivo de números de telefone perdeu relevância nas últimas décadas, e torna-se cada vez mais raro encontrar conhecidos que lembrem de cor os números de todas as pessoas próximas. Em um mundo que depende menos desse método para a comunicação, será que ele está com os dias contados?
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O uso de linhas telefônicas tradicionais registra queda acentuada à medida que a comunicação migra de forma definitiva para o ambiente digital e móvel. O comportamento geracional e o excesso de chamadas de spam são os principais motores dessa mudança, com os mais jovens evitando ligações diretas. Especialistas alertam que, apesar da modernização, o número de telefone ainda permanece como ferramenta jurídica essencial para identificação e segurança.
Segundo o portal TeleTime, a telefonia fixa perdeu 3,2 milhões de linhas apenas em 2024, o que representa a maior regressão em cinco anos. Em contrapartida, um levantamento da 5G Americas estima que o acesso a dados móveis na América Latina pode dobrar entre 2024 e 2028.
Essa transição é impulsionada por diferenças geracionais no consumo de tecnologia, já que os jovens preferem serviços de mensagens online, e muitas vezes evitam chamadas telefônicas por considerá-las invasivas ou demoradas.
Por isso, os números são substituídos por listas de contatos digitais baseadas em nomes ou apelidos.
Outro fator considerado determinante é o crescimento exponencial de chamadas indesejadas e automáticas. Dados de 2025 indicam que a população brasileira recebe aproximadamente 10 bilhões de ligações de spam mensalmente, de acordo com informações publicadas pelo G1.
Números de telefone são realmente necessários?
Embora modelos baseados apenas em nomes pareçam mais intuitivos para a atualidade e o futuro, diversas barreiras impedem a mudança completa.
Para Márcio Stival, advogado especialista em direito digital, o número de telefone ainda é um elo essencial entre perfis virtuais e pessoas físicas.
O especialista explica que, embora o número não seja uma prova absoluta de autoria, ele funciona como o ponto de partida crucial para investigações criminais:
“O processo geralmente começa com a obtenção do número via ordem judicial contra o aplicativo e, em seguida, dos dados cadastrais junto à operadora”, detalha Stival.
No entanto, o especialista pondera que o mercado ilegal de linhas e o uso de "laranjas" dificultam o trabalho das autoridades. Por isso, a responsabilização efetiva exige o cruzamento do número com endereços de IP, dados do aparelho e outras evidências digitais.
Até em comunicações realizadas exclusivamente via internet, como por redes Wi-Fi, o anonimato completo não é garantido. Stival ressaltou que a contratação de qualquer serviço de internet fixa no Brasil exige obrigatoriamente um CPF ou CNPJ, que pode ser usado em casos envolvendo a segurança digital.
Mesmo com o uso de ferramentas como VPN, os provedores mantêm registros que podem ser acessados mediante ordem judicial.
“Nosso ecossistema legal é desenhado para permitir a identificação em casos de investigação, desencorajando o anonimato completo para fins ilícitos”, finaliza o advogado.