O nímio do telefone celular

Por José Otero | 20 de Junho de 2018 às 09h11
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Quando falamos do setor das telecomunicações, alguns interlocutores usualmente focam na estratégia das grandes empresas. Principalmente, nos novos serviços que estariam lançados no mercado com o objetivo de mantê-lo atualizado e relacionado com a disponibilidade de novas tecnologias. Tudo isto emoldura uma carreira nunca anunciada entre as diferentes operadoras para ver quem pode reclamar o título de ser o primeiro em lançar o novo produto ou serviço no mercado.

O paradoxo é quase sempre o menor, aquele que ouvimos no momento de mencionar aos líderes de cada setor, os que usualmente adotam a nova tecnologia com mais rapidez que seus pares. Assim, a necessidade de manter-se vigente e converter sua limitada base de clientes em privilegiados com uma melhor tecnologia que a de seus amigos – ao menos em curto prazo.

Outros especialistas preferem centrar-se na parte regulatória. Apontar qual poderia ser o impacto das leis com a chegada de um novo serviço. Sobretudo em um mundo convergente que cada vez vai desmantelando as diferenças existentes entre a produção de conteúdos audiovisuais e os canais para chegar a estes consumidores. Tampouco há que esquecer o padrão dos especialistas em leis no momento de decifrar entre o possível e o legal ao utilizar uma tecnologia para oferecer serviços. Há uma grande diferença entre estas realidades.

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Também existem os futurólogos. Aqueles que têm um aumento em sua adrenalina ao contemplar a chegada de novos serviços em um futuro nem sempre próximo. Em suas publicações especializadas tratam de aterrissar em um mundo cotidiano no padrão de um robô, simplificar a importância da inteligência artificial para a educação e, entre relatos de desenvolvimento dignos da autoria de São Thomas Moro, descrever como a Internet das Coisas, ajudada por todas as suas identidades, tem como único fim melhorar a qualidade de vida das pessoas.

O surpreendente entre tanto burburinho é ver como o padrão do dispositivo móvel fica relegado a revistas de consumo, onde se julga por números de pixels, peso, duração de bateria ou material de construção. O anterior, assumindo que todos os modelos apresentados são capazes de funcionar em todas as tecnologias móveis disponíveis no mercado indistintamente das frequências utilizadas por estas. Em outras palavras, a percepção geral até os telefones celulares é bastante básica e se limita a que seja bonito e esteja dentro do proposto.  

No entanto, o presente, são estes pequenos aparatos responsáveis pela velocidade da chegada de nova tecnologia no mercado. No passado, foram responsáveis do sucesso ou fracasso de dezenas de operadoras celulares ao redor do mundo. E como era de se esperar, no futuro terão uma função mais similar a de um controle remoto para múltiplas aplicações ao nosso redor.

Claro que mais de uma pessoa não verá novidade no que escrevo, aparte de fazê-lo mencionado anteriormente de forma breve neste mesmo espaço, já temos observado os esforços em diversificar as funções do celular tradicional por meio de aplicativos que controlam diferentes aparatos ou pela modificação de sua forma, para que esteja integrado em outros artefatos de uso cotidiano como um relógio.

A revolução do celular é um fenômeno natural. Desde vários anos que o serviço original impulsionou sua criação e foi relegado a um segundo plano. O que continua sendo de alto valor é algo que ainda que com o passar dos séculos não caducará, sua mais importante funcionalidade, a mobilidade. Para entender a importância do celular somente recordem todas as promessas de modernidade desde a analítica e a Internet das Coisas até a vida totalmente conectada.

Todo esse futuro será controlado por cada indivíduo desde esse pequeno computador móvel que temos na mão e que utilizamos, na maioria das vezes, para conversar, tirar fotos e assistir a vídeos. Se conseguiu que diversas empresas no passado se ajoelhassem a ele, quando o serviço básico ainda era a voz, imagine agora que ele se tornou um computador mais poderoso do que o usado para enviar seres humanos à lua.

Enquanto isso acontecer, o celular continuará determinando a data mais conveniente para o lançamento de cada nova tecnologia.

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