Interferência com parabólicas pode atrasar leilão do 5G no Brasil, aponta Anatel

Por Wagner Wakka | 02 de Agosto de 2019 às 15h00
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) programa o leilão das faixas de 5G no Brasil para março do ano que vem. Contudo, esta data pode mudar por conta de interferência no sinal de TV aberta. A proposta é de que a frequência de 3,5 GHz seja uma das utilizadas no novo padrão, o que impactaria em transmissões da TV aberta via antenas parabólicas, ainda usadas em zonas rurais.

A probabilidade de interferência já era uma questão em aberto para o leilão. Contudo, o presidente da Anatel, Leonardo Euler Morais, se mostrava positivo de que não haveria problemas com parabólicas. Em entrevista ao TeleSíntese no final de junho, ele afirmou que o impacto seria pontual, o que poderia ser resolvido com alternativas técnicas.

Agora, em entrevista ao Valor, o presidente mudou de postura. O assunto está em debate na Anatel, sendo que o presidente afirmou que “não sabemos em quanto tempo será encerrada esta discussão”. Para ele, há uma “grande incerteza” sobre se haverá a possibilidade de manter o prazo para março.

Apesar do problema, a Agência ainda pode ter tempo para lidar com o assunto das antenas após o leilão. A implantação do 5G deve acontecer em grandes centros urbanos, nos quais já houve a transição para TV aberta digital.

Leonardo Euler Morais, presidente da Anatel (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Contudo, a interferência pode ser um ponto crítico de queda do valor das frequências. “Não podemos impor um custo elevado para o setor ao tentar mitigar as interferências, porque isso certamente vai reduzir o potencial de receita do leilão”, disse o presidente ao Valor.

Após o levantamento do problema a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) foi convocada para reunião com a Anatel. Uma representante da empresa informou que é possível que emissoras de TV façam ajustes técnicos para antenas de transmissão, mas que o mesmo não pode ser feito para as de uso doméstico.

Há a possibilidade de fabricantes de antenas passarem a adotar filtros para evitar este tipo de interferência, mas isso encareceria um produto que já é voltado a consumidores de baixa renda.

O plano é de que três faixas sejam leiloadas em março do ano que vem: há uma capacidade total de 200 MHz para a linha de 3,5 GHz; 100 MHZ para a faixa de 2,3 GHz, além do restante da faixa de 700 MHz, num total de 10 MHz de capacidade.

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