Interação com streaming deve ser a evolução da TV aberta digital

Por Wagner Wakka | 17 de Dezembro de 2019 às 21h50
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Imagine que você está assistindo a um episódio da sua novela preferida, mas perdeu o capítulo de ontem. Se quiser entrar na plataforma de streaming para se atualizar antes da exibição do episódio atual, é preciso abrir o app na sua smart TV, procurar o conteúdo e, então, assistir. Mas a proposta do novo padrão para a TV digital no Brasil, pode facilitar esse processo.

“Existe muita fricção neste movimento”, explica Raymundo Barros, conselheiro titular do Fórum SBTVD e diretor de Tecnologia da TV Globo. O grupo do qual ele faz parte é uma entidade sem fins lucrativos e que contribui para o desenvolvimento da TV digital no Brasil.

Atualmente, o SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital) chegou a um novo padrão para o setor, que inclui avanços em ferramentas para o consumidor. A principal delas está no DTV Play, a integração entre sistema aberto e conteúdo conectado à internet.

Voltamos ao exemplo inicial. Com esta nova tecnologia, o usuário não precisa mais buscar por si só o conteúdo. No caso da novela, ao perceber que a pessoa não assistiu ao capítulo passado, o próprio sistema inteligente pode já colocar um pop-up na tela para direcionar o espectador para dentro da plataforma de streaming.

“Praticamente 100% dos televisores fabricados no Brasil já são smartTV”, lembra Barros. “Você preserva o alcance, a qualidade e tudo o mais, típicos da TV aberta, mas consegue agregar através desta integração, a personalização e conhecimento do que está por trás do televisor”, completa.

O DTV Play é um middleware, assim chamado o programa que faz a mediação entre conteúdo e o aparelho. Atualmente, esta novidade está sendo experimentada em aplicativos da Globo Play, junto a alguns modelos de smart TVs da TCL. Entretanto, a expectativa é de que a tecnologia avance no ano que vem.

Raymundo Barros (Foto: Globo/Ramón Vasconcelos)

A proposta não é somente dar mais ferramentas e conforto para o usuário. A integração também dá mais margem para publicidade dentro da plataforma. Se antes não era possível ter um filtro específico de propaganda, a utilização de dados do espectador permite mais precisão do que mostrar a ele.

“Antes você tinha publicidade nacional, regional e local. Agora, ela pode ser personalizada”, aponta o conselheiro. Ele ainda destaca que tudo isso será feito com a anuência do consumidor, usando as informações que já ele compartilha com apps na smartTV.

Futuro

Quando a TV Digital foi lançada, uma das principais mudanças foi trazer uma melhoria na qualidade de imagem. Em resumo, a proposta foi oferecer conteúdo em Full HD para a TV aberta.

O novo passo, segundo Barros, é ir além. O DTV Play é uma das novidades do que se chama de TV 2.5, mas não se espera parar por aí. Para o ano que vem, a expectativa também é uma melhora em som e imagem. No âmbito sonoro, uma novidade é também a perspectiva de poder personalizar o que está na tela. Por exemplo, aumentar ou diminuir a trilha de uma novela separado do diálogo. Outras novidades incluem efeitos tridimensionais sonoros.

Arte: Luciana Medeiros/ Race Comunicação

Já em relação à imagem, o que deve entrar no sinal digital é o HDR, que permite maior contrate entre luz e cores para quem tem um televisor com esta capacidade. Por fim, a expectativa também é de que o 4K chegue aos conteúdos em TV aberta já para 2020.

Internet

Quem acompanha o avanço da TV e plataformas de streaming pode pensar que o futuro da transmissão esteja somente na internet. Contudo, de acordo com Barros, este é um pensamento equivocado.

As plataformas de transmissão via web têm um problema limitante. As transmissões ao vivo via streaming só conseguem chegar a 100 milhões de pessoas ao mesmo tempo. Ainda assim, exigindo uma estrutura bastante robusta.

Desta forma, pelo menos pelos próximos 10 anos, no mínimo, Barros acredita que a capacidade da TV aberta será ainda muito superior. “Por isso propomos uma plataforma híbrida. Essa é uma ponte que permite que você possa ofertar ao seu consumidor conteúdos de altíssimo apelo, usando um meio broadcast, mas ao mesmo tempo consegue endereçar para aquela pessoa conteúdos ultrapersonalizados através da internet. Estes que podem ser conteúdos de fato ou publicidade”, completa Barros.

A transição do sistema analógico para o digital já impacta mais de 130 milhões de brasileiros desde 2009.

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