Infraestrutura 5G da Huawei será banida do Reino Unido até 2027

Por Rui Maciel | 14 de Julho de 2020 às 13h55
Divulgação/Huawei
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Na última segund-feira (13), divulgamos que o Conselho de Segurança Nacional da Grã-Bretanha (NSC), presidido pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, se reuniria nesta terça-feira (14) para discutir a presença da Huawei no 5G britânico. A decisão do governo local seria anunciada no final do mesmo dia, pelo secretário de mídia, Oliver Dowden.Pois bem, o "veredicto" saiu. E não foi nada bom para a fabricante chinesa.

Isso porque Johnson ordenou que os equipamentos da Huawei que estão na infraestrutura 5G britânica sejam banidos da Grã-Bretanha até 2027. Além disso, a partir do final deste ano, fica proibida a compra de componentes da marca para as redes móveis de quinta geração. Essas decisões acertam em cheio os interesses da empresa chinesa, já que o Reino Unido era visto como a principal cartão de visitas da companhia no Ocidente. E, de quebra, agrada o presidente norte-americano Donald Trump, que gerencia uma guerra comercial e tecnológica com a China.

Além disso, o largo prazo para abandonar os equipamentos da Huawei também agrada as operadoras de telecom britânicas, como a British Telecom (BT), a Vodafone e a Three. Essas empresas estavam preocupadas em gastar bilhões de libras para se substituir os componentes da Huawei a curto prazo, o que atrasaria a implementação do 5G em todo o país. Para além do 5G, as empresas de telecomunicações também serão instruídas a parar de usar a Huawei em suas infraestruturas de banda larga fixa nos próximos dois anos.

A decisão do primeiro ministro do Reino Unido foi corroborada pelo braço cibernético da agência britânica de espionagem GCHQ e pelo Centro Nacional de Segurança Cibernética. As entidades disseram aos ministros que não poderiam mais garantir o fornecimento estável de equipamentos da Huawei depois que os Estados Unidos impuseram novas sanções à tecnologia de chips.

Torre 5G da Huawei: banida do Reino Unido até 2027

"Esta não foi uma decisão fácil, mas é a certa para as redes de telecomunicações do Reino Unido, para nossa segurança nacional e nossa economia, agora e a longo prazo", afirmou ao parlamento Oliver Dowden, secretário de Digital, Cultura, Mídia e Esportes da Grã-Bretanha, "Até a próxima eleição, teremos implementado por lei, um caminho irreversível para a remoção completa dos equipamentos Huawei de nossas redes 5G".

Pressão dos EUA

O governo Donald Trump pressiou Boris Johnson a reverter uma decisão que ele tomou em janeiro deste ano, ao conceder à Huawei um papel limitado no 5G britânico. Além disso, o governo inglês também ficou consternado com a repressão do governo chinês aos protestos em Hong Kong, bem como a percepção de que a China não contou toda a verdade sobre o coronavírus.

No que alguns compararam ao antagonismo da Guerra Fria com a União Soviética, os Estados Unidos estão preocupados com o fato de o domínio 5G ser um marco para a supremacia tecnológica chinesa e que poderá definir a geopolítica do século XXI. Com dados mais rápidos e maior capacidade, o 5G se tornará o sistema nervoso da futura economia - transportando dados sobre tudo, desde fluxos financeiros globais a infraestrutura crítica, como energia, defesa e transporte. E a China vem liderando essa corrida, já que sua tecnologia 5G - representada pela Huawei - está bem mais evoluída do que a concorrência, formada por empresas como Ericsson e Nokia.

Donaldo Trump e Xi Jinping: presidente norte-americano abriu guerra comercial e tecnológica contra China e Huawei

Segundo a agência de notícias Reuters, depois que a Austrália reconheceu pela primeira vez o poder destrutivo do 5G, seqüestrado por um estado hostil, o Ocidente ficou cada vez mais preocupado com a Huawei. O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Robert O'Brien, se reunirá com representantes da França, Reino Unido, Alemanha e Itália esta semana, em Paris, para discutir segurança, incluindo 5G. O Ocidente está tentando criar um grupo de rivais da Huawei para construir as redes com esta tecnologia de dados móveis, em parceria com a Ericsson e a Nokia.

 
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Banir a Huawei da sua infraestrutura 5G, marca o fim de um relacionamento bastante próximo com os chineses, criado pelo ex-primeiro-ministro David Cameron. Na época, ele chamou o início da parceria como uma "era de ouro" em laços, promovendo a Grã-Bretanha como o principal destino da Europa para o governo (e os produtos) da China. Cameron chegou a brindar o relacionamento com uma cerveja com o presidente Xi Jinping em um pub inglês - que mais tarde foi comprado por uma empresa chinesa.

No entanto, com a eleição de Trump, os Estados Unidos passaram a pressionar repetidamente o governo britânico para que ele proibisse a Huawei de atuar em seu país. Ainda que sem provas concretas, o atual presidente norte-americano chama a empresa de agente do Estado comunista chinês, acusando-a de praticar espionagem a partir de seus equipamentos, que integram infraestruturas de telecomunicações mundo afora - um argumento que tem apoio no Partido Conservador de Johnson.

A Huawei, por nega que pratique espionagem para o governo da China. Ela afirma ainda que os Estados Unidos querem interromper seu crescimento, porque nenhuma empresa norte-americana poderia oferecer a mesma gama de tecnologias que ela, a um preço competitivo. Para completar, a China diz que a proibição de atuação de uma de suas principais empresas globais de tecnologia teria ramificações de longo alcance.

Guerra comercial também vai ao Canadá 

Para além das fronteiras britânicas, a guerra comercial e tecnológica dos EUA com a China também chega a outros países de língua inglesa. Um deles é o vizinho Canadá, cuja Justiça está envolvida no julgamento de Meng Whanzou, CFO e filha do fundador da Huawei, que encara um julgamento que pode resultar em sua extradição para os Estados Unidos.

Whanzou foi presa em dezembro de 2018 e é acusada de fraude bancária por enganar o HSBC sobre o relacionamento da Huawei com uma empresa que opera no Irã. Segundo as acusações, ela teria colocado o banco em risco de multas e penalidades por violar as sanções dos norte-americanos contra o governo iraniano.

Os advogados de Meng alegam que, como as sanções contra o Irã não existiam no Canadá no momento da prisão de Wanzhou, logo, suas ações não poderiam ser configuradas como crime em território canadense. No entanto, no último dia 27 de maio, a executiva sofreu um forte revés em sua luta contra a extradição para os EUA. Isso porque a Justiça canadense negou o argumento da sua equipe de defesa. A juíza Heather Holmes, da Suprema Corte da Colúmbia Britânica, discordou dos argumentos da defesa, alegando que o padrão legal de dupla criminalidade havia sido cumprido. Além disso, a magistrada afirmou que a abordagem de Meng limitaria seriamente a capacidade do Canadá de cumprir suas obrigações internacionais no contexto da extradição por fraude e outros crimes econômicos.

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Reid Weingarten, advogado americano de Meng, disse na ocasião que ela "não deve ser um peão ou refém" no relacionamento China-EUA. Os laços entre as duas superpotências estão se deteriorando constantemente em meio a disputas sobre o comércio e o futuro de Hong Kong. "A decisão de hoje no Canadá é apenas a de abertura em um processo muito longo", afirmou Weingarten. "Estamos confiantes de que, em última análise, a justiça será feita", completa.

A decisão prepara o caminho para as audiências de extradição, cujo início está programado para acontecer já a partir deste mês. Nas primeiras etapas, será examinado se as autoridades canadenses seguiram a lei enquanto prendiam Meng. Os argumentos de encerramento são esperados entre a última semana de setembro e a primeira semana de outubro.

Fonte: Reuters  

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