Equipamentos da Huawei possuíam backdoors escondidos, afirma Vodafone

Por Rafael Arbulu | 30 de Abril de 2019 às 11h17
Reuters
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Mais uma grande empresa adiciona um discurso de peso negativo à chinesa Huawei: a Vodafone diz ter encontrado diversos backdoors em equipamentos que comercializou com a gigante chinesa entre os anos de 2011 e 2012. Embora a operadora admita que os problemas já foram resolvidos naquela época, a informação adiciona gasolina ao fogo de discussões sobre a má reputação da fabricante na Europa.

A Huawei vem, desde o início de 2018, enfrentando diversas alegações que acabaram por minar a sua credibilidade em diversos países: os EUA, que costumeiramente lideram tais discursos, acusam a empresa de utilizar sua estrutura de rede na Europa como plataforma de espionagem do governo chinês, além de tentar roubar segredos empresariais e ignorar sanções comerciais impostas ao Irã. Esta última situação serviu de estopim para a prisão da CFO e filha do cofundador da empresa, Meng Wanzhou, no final do ano passado.

Os EUA estão tentando persuadir nações parceiras a deixarem de fazer negócios com a Huawei, efetivamente bloqueando as transações comerciais da empresa, que já é proibida de agir em solo norte-americano. Entretanto, o país presidido por Donald Trump enfrenta a situação como uma caminhada ladeira acima, haja vista que, apesar de todas as preocupações de segurança, a Huawei segue fechando contratos no Reino Unido, reforçando a sua posição como a maior empresa de serviços em telecomunicação do mundo e a segunda maior fabricante de smartphones.

A Huawei vem enfrentando acusações de espionagem industrial e violação de diversos acordos comerciais por parte dos EUA. Gigante chinesa vem, porém, assegurando novos negócios na Europa, sobretudo com operadoras telefônicas

As informações reveladas pela Vodafone referem-se aos seus negócios na Itália, onde a operadora utiliza equipamentos da Huawei para compor a sua infraestrutura de telecomunicações.

“A maior operadora da Europa identificou pontos escondidos de entrada no software, que poderiam dar à Huawei acesso não-autorizado à rede de telefonia fixa da empresa na Itália”, diz a matéria da Bloomberg. “O serviço provisiona internet a milhares de residências e empresas no país, segundo documentos de segurança da Vodafone datados entre os anos 2009 e 2011 e obtidos pela Bloomberg, e também segundo pessoas envolvidas na situação”.

A operadora britânica Vodafone disse ter identificado vulnerabilidades em equipamentos da Huawei, que ela utilizou em suas operações na Itália: os problemas foram resolvidos entre 2011 e 2012 e a operadora defende que a gigante chinesa seja capaz de fechar negócios sem restrições

A Vodafone teria pedido à Huawei para consertar as vulnerabilidades em roteadores domiciliares, o que a empresa chinesa alegou ter atendido. Entretanto, a operadora britânica conduziu testes posteriores e viu que os problemas permaneciam. A Vodafone também informou à Bloomberg ter encontrado, na mesma época, pontos de entrada em suas redes fixas, em locais conhecidos como “nódulos de serviços ópticos”, bem como em outras partes chamadas de “gateways de rede banda larga”. As fontes, que pediram anonimato devido à confidencialidade do caso, dizem que tais tecnologias são empregadas em autenticação de usuários para acesso à internet.

Apesar das informações publicadas pela Bloomberg, a Vodafone é vocal em se opor a qualquer tipo de restrição comercial à gigante chinesa. O CEO da operadora, Nick Read, disse recentemente ser contra qualquer impedimento à Huawei de atuar na criação e desenvolvimento de redes 5G, alegando que qualquer obstáculo a isso tornaria a tecnologia mais cara e atrasada. Outras empresas do setor adotaram posições similares, colocando a Europa no fogo cruzado entre EUA e China.

A Huawei não elaborou nenhum comentário à matéria da Bloomberg.

Fonte: Bloomberg

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